domingo, 2 de dezembro de 2007

chanuka

Significado.

Literalmente, "Inauguração".
A festa recebeu este nome em comemoração ao fato histórico de que os macabeus "chanu" (descansaram) das batalhas no "cá" (25º dia) de Kislêv.

Antiocus, rei da Síria, governou a Terra de Israel depois da morte de Alexandre, o Grande. Pressionou os judeus a aceitarem a cultura greco-helenista, proibindo o cumprimento das mitsvot (preceitos) da Torá e forçando a prática da idolatria pagã.

Antiocus foi apoiado por milhares de soldados de seu exército. Em 165 a.e.c, os Macabeus, corajosos lutadores oriundos de uma família de muita fé, os Chashmonaim, apesar do antagonismo esmagador, saíram vitoriosos de uma batalha travada contra o inimigo.

O Templo Sagrado, violado pelos rituais greco-pagãos, foi novamente purificado e consagrado e a Menorá (candelabro) reacesa com o azeite puro de oliva, descoberto no Templo.

A quantidade encontrada era suficiente para apenas um dia, mas milagrosamente durou 8 dias, até que um novo óleo puro pudesse ser produzido e trazido ao Templo. Em lembrança destes milagres comemoramos Chanucá durante oito dias

História.

Há mais de 2000 anos, o rei selêucida Antiochus III governava Israel. A princípio, ele tratava com bondade os judeus e lhes dava alguns privilégios; porém quando os romanos o derrotaram, Antiochus forçou os povos de seu império a fornecerem o ouro necessário para pagar os tributos romanos. Seu filho e sucessor, Seleucus IV, continuou a opressão.

Porém o pior conflito causado pela ocupação síria de Israel veio de dentro, com o crescimento do poder dos judeus "helenistas", que adotaram a cultura grega idólatra. O Cohen Hagadol, Sumo Sacerdote, Yochanan, previu o perigo dessa influência. Enfurecidos por essa oposição, os helenistas tentaram fomentar o conflito entre o Rei Seleucus e Yochanan.

Logo, Seleucus foi assassinado e seu irmão Antiochus IV tornou-se rei. Um tirano cruel, Antiochus zombava da liberdade religiosa. Era chamado "Epifânio" (amado pelos "deuses"), porém um historiador contemporâneo, Polebius, chamou este rei perverso de "Epimanes", que significa "louco".

Esperando impor uma religião e cultura comum, Antiochus negou a liberdade religiosa aos judeus, suprimindo a Lei da Torá. Ele instalou o irmão de Yochanan em seu lugar, o helenista Jason, como ele chamava a si mesmo em grego – que passou a divulgar os costumes gregos no sacerdócio. No entanto, seu amigo helenista Menelau expulsou Jason.

Enquanto isso, Antiochus empreendeu uma guerra bem-sucedida contra o Egito. Roma exigiu que ele parasse, e ele cedeu. Em Jerusalém, nesse interim, espalharam-se boatos da morte acidental de Antiochus, e o povo se rebelou contra Menelau, que fugiu.

Antiochus soube da rebelião em Jerusalém; já furioso por ter suas ambições frustradas no Egito, enviou seu exército para atacar os judeus, matando milhares. Emitiu então decretos severos proibindo a religião judaica, confiscando e queimando Rolos de Torá. Guardar o Shabat, realizar a circuncisão e cuidar as leis dietéticas eram agora castigadas com a morte. Apegando-se à sua fé, milhares de judeus sacrificaram a própria vida.

Por fim, os soldados de Antiochus chegaram à aldeia de Modi’in. Construíram um altar na praça principal e exigiram que Matityahu, um sacerdote idoso e líder da comunidade, oferecesse sacrifícios aos deuses gregos. Ele recusou, professando a lealdade do seu povo ao pacto de D’us com Israel.

Quando um judeu helenista aproximou-se para oferecer um sacrifício, Matityahu agarrou a espada e matou-o. Seus filhos e seguidores mataram muitos invasores e perseguiram os restantes, depois destruíram o altar. Matityahu sabia que Antiochus certamente enviaria soldados; então ele e um bando de seguidores fugiram rumo às colinas da Judéia.

À beira da morte, Matityahu conclamou seus filhos a continuarem sua luta. Um irmão, Shimon "o Sábio", os guiaria; outro os lideraria na guerra, Yehudá, "o Forte" – chamado Macabeu, um acrônimo do hebraico "Mi Camocha Ba’e-lim Hashem" – "Quem és como Tu, ó D’us".

Antiochus enviou Apolônio para eliminar os Macabeus. Embora maior e mais bem equipado, o exército de Apolônio foi derrotado pelos Macabeus, que agora derrotavam uma tropa síria atrás da outra. Antiochus decidiu mostrar seu poder militar para esmagar o corajoso pequeno bando de judeus. Mais de 40.000 soldados sírios foram enviados à luta. Após uma série de batalhas, os Macabeus venceram!

Em seguida, os Macabeus foram libertar Jerusalém. Tiraram do Templo os ídolos ali colocados pelos sírios. Construíram um novo altar, consagrado a 25 de Kislêv de 3595 (165 a.e.c).

Os sírios tinham roubado a Menorá de ouro do Templo, portanto os Macabeus imediatamente fizeram uma nova, porém de metal menos nobre. Embora o azeite impuro pudesse ser usado para acender a lamparina do Templo se necessário, eles insistiram em usar apenas a única ânfora de azeite com o selo do ultimo Sumo Sacerdote justo, Yochanan.

Aquela pequena e única ânfora; contendo azeite somente para um dia, durou os oito dias, conforme comemoramos todos os anos: os Oito Dias de Chanucá.

Leis e costumes.

Como acender uma chanukyá

Uma menorá de Chanucá tem oito braços numa fila reta de igual altura. O shamash (vela auxiliar), usado para acender a menorá, é colocado mais alto ou à parte das outras. Uma menorá que funcione com eletricidade pode ser usada como decoração de çhanucá, mas não cumpre a mitsvá (conexão com D’us) de acendimento da menorá.

Parte da mitsvá de Chanucá é a divulgação do milagre de Chanucá, portanto colocamos a menorá no batente oposto a mezuzá, ou numa janela, claramente visível do lado de fora. Velas podem ser usadas, mas devido ao seu papel no milagre de Chanucá, uma menorá com azeite é especialmente significativa.

Na primeira noite de Chanucá, reúna a família para o acendimento da menorá. Antes de acender, recite a bênção apropriada. Utilize o shamash para acender a primeira vela, no extremo direito da menorá.

Na segunda noite, acenda uma vela adicional à esquerda da vela acesa na noite anterior. Repita o mesmo processo a cada noite de Chanucá, onde a vela a ser acesa é sempre a nova, procedendo da esquerda para a direita. As velas devem arder durante pelo menos meia hora.

Se uma vela apagar durante o período em que deveria estar ardendo, deve ser reacendida. Na noite seguinte, os pavios e o azeite restantes podem ser reaproveitados.

A luz da chanukiyá é sagrada e não pode ser utilizada para outro fim, como leitura ou trabalho.

Na tarde de sexta-feira, acendemos as velas de Chanucá pouco antes das velas de Shabat. No Shabat, o sagrado dia de repouso, é proibido acender uma chama. A chanukiyá não pode ser tocada ou removida depois de seu acendimento na sexta-feira até sábado após o anoitecer. No sábado, as velas de Chanucá somente são acesas após o final do Shabat, depois que a prece de Havdalá é recitada.

Sevivon

Antíoco decretou que cada aula de Torá era crime punível com morte ou prisão. Em desafio, as crianças estudavam em segredo, e quando as patrulhas sírias eram avistadas, fingiam estar jogando uma inocente brincadeira de pião, também conhecido sevivon (em hebraico).

Todo sevivon possui quatro lados com uma letra hebraica em cada um deles. Cada letra é a inicial de uma palavra. As quatro letras são:

p (Nun) primeira letra da palavra nes, que significa "milagre"
b (Guimel) primeira letra de gadol, que significa "grande"
d (Hei) primeira letra de haya, que significa "era" ou "foi"
y (Shin) primeira letra de sham, que significa "lá"
Juntas, estas letras formam a frase: "Um grande milagre aconteceu lá".

Em Israel, ao invés da letra shin (para designar sham, lá), o sevivon possui a letra w ( [pei] de pô, aqui) para que as letras dos lados do pião forme a frase: "Um grande milagre aconteceu aqui".

yossef, retrato de um tzadik

Yossef, Retrato de um Tzadik


A história de Yossef, filho de Yaacov, constitui uma história de sonhos realizados. Trata-se de uma narrativa real, que transborda de tragédia e triunfo.

Verdadeira lição sobre a Divina Providência, é tecida por uma trama dos elementos que, entrelaçados, produzem os grandes contos: amor e ódio, ambição e inveja, poder e paixão. Embalados pelas incríveis reviravoltas do destino. Entre os heróis dos Cinco Livros da Torá, é Yossef , quem ostenta o título de Tzadik - o justo. É comum pensar-se que ele teria conquistado esse honroso aposto por ter resistido às investidas de uma linda mulher, muito poderosa. Mas, não deveríamos esperar o mesmo de, por exemplo, seu pai, o patriarca Yaacov, ou de Moshé, nosso Mestre?

É certo que tinha mais encantos pessoais do que os patriarcas que o precederam e do que os profetas que o sucederam. Mas, seria mais piedoso do que todos os demais? Conheçamos, pois, sua história.


A venda de Yossef.

Yossef era o filho predileto de Yacov e pode-se facilmente entender a razão para tal predileção. Yaacov o amava porque o fazia recordar-se de sua amada esposa - a bela Rachel, que morrera de parto ao dar à luz o seu segundo filho, Benjamin. É bem possível que filho e mãe se parecessem, fisicamente, pois a Torá os destaca como sendo possuidores de beleza física. Agrega o Midrash que Yossef mais do que os demais filhos de Yaacov; parecia-se com o pai: ambos tinham sonhos que se tornavam realidade; ambos eram odiados por seus irmãos e ambos viveram e morreram no exílio. Aos olhos do pai, Yossef era a ponte entre os três patriarcas - Avraham, Yitschac e ele próprio - e representava as futuras gerações do povo judeu.
Não surpreende, pois, que os outros filhos de Yaacov se ressentissem do irmão, pois sabiam que era ele o filho dileto, o favorito de seu pai. E quando este presenteia Yossef com uma fina túnica de lã, multicolorida, desencadeia maior inveja ainda entre os irmãos. Era de se esperar que Yossef, ao menos, tentasse aplacar sua ira, mas eis que este consegue fazer exatamente o oposto. Tem um sonho que certamente espicaçaria seus irmãos e ele se apressa em lhes contar. Diz: "Rogo-lhes que ouçam o sonho que tive. Estávamos todos a colhermos trigo nos campos, quando, subitamente, meu feixe se alça e assim permanece, enquanto os de vocês o circundam e se curvam perante o meu monte de trigo".

Os irmãos, compreensivelmente aborrecidos e preocupados, respondem: "O quê? Pretende você, porventura, reinar sobre nós?" Yossef menospreza seus temores e sentimentos, pois, após ter novo sonho, a eles relata: "Vi o sol, a lua e onze estrelas prostrarem-se diante de mim". Desta vez, seu próprio pai o censura. Mas ele mesmo, Yaacov, era um sonhador. E acreditava piamente nos sonhos. E, assim sendo, conta-nos o Midrash, o pai tomou de uma pena e um papel para anotar as palavras exatas que o filho pronunciara.

A essa altura da narrativa, cabe perguntar - como é possível que Yossef, que viria a ser um genial estrategista, um homem mais perspicaz do que um profeta, não percebesse que estava semeando discórdia?

Após ouvir o relato de Yossef, seus irmãos reagem impiedosamente contra ele por temer que este planejasse escravizá-los, bem como a suas famílias, inclusive a seu pai. Um dia, estavam os irmãos nos campos apascentando os rebanhos. Eis que Yaacov envia Yossef ao encontro dos demais. Yossef encontra os dez meio-irmãos - pois, apenas Benjamin, seu irmão de pai e mãe, lá não se encontrava - e os demais decidem garantir que seus sonhos jamais se pudessem materializar. E combinaram entre si: "Matemo-lo, jogando-o depois em uma cova ... aí, sim, veremos o que será de seus sonhos".

O plano não se concretiza pois um deles, Reuven, primogênito de Yaacov e Léa, intercede em favor do irmão. Tencionando devolver Yossef a seu pai, Reuven convence os demais a não manchar suas mãos com seu próprio sangue. E lhes diz: "Atirem-no nessa cova ... mas não lhe façam mal algum". Os irmãos seguem seu conselho; despojam Yossef de seu manto colorido e o forçam para o fundo do poço.
Reuven parte, planejando mais tarde retornar e resgatar Yossef. Porém, durante sua ausência, Yehudá, outro dos irmãos, sugere-lhes vender Yossef aos mercadores ismaelitas que por lá transitavam. E diz: "O que lucraremos matando nosso irmão e encobrindo seu sangue?". E os demais seguiram seu conselho. Retiraram-no do fundo do poço e o venderam aos descendentes de Ismael, que, posteriormente, venderam-no aos midianitas. Estes o levaram ao Egito e o vendeu a Potifar, ministro do Faraó.

Ao voltar, Reuven toma conhecimento da venda do irmão. Rasga suas roupas em sinal de luto, pois prevê as terríveis conseqüências e o sofrimento que advirão daquela maldade. No entanto, até mesmo ele julga já ser tarde demais para salvar Yossef. Caberia agora aos irmãos acobertar o crime. Portanto, banham a túnica de Yossef no sangue de uma cabra e a enviam a seu pai. E, desavergonhadamente, em vez de contar ao pai uma mentira deslavada, contornam a situação com a pergunta: "Encontramos isto, no caminho ... trata-se ou não da túnica de seu filho?" Ao ver Yaacov a túnica ensangüentada, presume - e cai em prantos - que seu filho amado fora devorado por uma besta selvagem.

Escapa-nos o porquê de Yaacov não ter ido mais a fundo em suas investigações sobre o acontecido. O que sabemos é que ele chorou a morte de Yossef durante os 22 anos que se seguiram. Vivia absorto em silêncio e tristeza; e tendo entrado em depressão, perdeu seus dons proféticos, pois que D'us resolvera não lhe revelar o sucedido. A família de Yaacov, inclusive os filhos que nem por um segundo pensaram nos sentimentos paternos ao vender o irmão Yossef, tentaram consolar o patriarca. Mas Yaacov se recusava ao consolo.

A roda-gigante da vida.

A vida, nos ensina o Talmud, é como uma roda-gigante: quem está no alto geralmente desce e quem está embaixo geralmente sobe ao alto. Pois a vida de Yossef é comparável a uma roda-gigante que deu voltas sem fim - uma carreira de desastres e vitórias, mas todos fortuitos. Tudo o que a ele aconteceu teve grandes proporções. Sua vida foi um prenúncio do futuro de seu povo - o povo judeu. Quando ele sofreu uma derrota, chegou ao fundo do abismo; mas em sua glória, foi mais alto que as estrelas. Podemos qualificá-lo de qualquer coisa, menos de medíocre. A história de sua vida pode ser descrita de várias formas, menos como banal.

Yossef foi vendido como escravo e se tornou servente na casa de Potifar, mas D'us o abençoava com o sucesso em todas as suas empreitadas. Percebendo que Yossef lhe trazia sorte, o patrão o nomeou responsável por seus interesses e propriedades. Mas o talento não era a única qualidade de Yossef; era um homem belo, muito sedutor; quase que irresistível. E isso podia ser perigoso, especialmente em uma sociedade imoral como a do antigo Egito. A mulher de Potifar, que se apaixonara por seu fascínio, usava de todos os artifícios para o atrair; queria-o para si, como amante, a qualquer custo. Não obstante a tentação, quase insuperável - ela era bonita e poderosa; ele, jovem e só, José rechaça suas investidas.

A bela e infiel mulher, no entanto, não desiste facilmente de Yossef. Um dia em que ambos estavam sós, na casa, ela arranca as roupas do rapaz, deixando-o despido. Prestes a sucumbir aos desejos de seu corpo jovem, eis que lhe aparece uma visão, a imagem de seu pai, e aquilo o leva a fugir daquela casa. A mulher não solta suas vestes e, cheia de despeito e frustração por ter sido rejeitada, acusa-o de ter tentado violentá-la. Ao inteirar-se da acusação, o marido manda prender Yossef na mesma prisão onde ficavam confinados os prisioneiros reais.

No entanto, Potifar obviamente não acreditou na trama urdida por sua mulher - pois, se assim fosse, tê-lo-ia mandado executar e não apenas aprisionar. Em uma imagem do Midrash, Potifar pessoalmente acompanha Yossef ao cativeiro, quando lhe expressa seu dissabor por ter que encarcerá-lo. Sabia o que realmente acontecera; tinha conhecimento do extremo fascínio que o jovem hebreu exercia sobre as mulheres. Conta-nos também o Midrash que era impossível conhecê-lo e não se apaixonar por ele – secreta e apaixonadamente.

No cárcere, Yossef volta a se sentir no fundo do abismo. Mas como relata a Torá, D'us o havia abençoado, dotando-o de grande carisma. E esta qualidade o fez cair nas graças dos companheiros de cela e do guarda da prisão, que deixou todos os demais reclusos sob sua custódia. Vemos que até mesmo na prisão, Yossef se destacava, sendo sempre elevado ao primeiro lugar. E ao falar em seu sucesso, o Midrash se refere a ele como um homem que vencia todos os obstáculos - nada, nem ninguém, conseguia detê-lo. Quanto maior a queda, mais alto o vôo ao qual se alçava, subseqüentemente.

Doze anos, esse jovem brilhante passou na prisão - doze longos anos; anos difíceis e frustrantes. E um dia, inesperadamente, a roda-gigante, a sua roda da fortuna, voltou a girar.

Sonhadores e sonhos.

Certa vez, no desempenho de suas tarefas, o Chefe Sommelier e o Confeiteiro Real do Egito desagradaram o Faraó, seu soberano. E por essa falta foram sentenciados à prisão, justamente à mesma onde estava detido Yossef.

Em uma determinada manhã, ele percebeu que os dois homens estavam muito desanimados. Perguntando-lhes o que havia de errado, contaram-lhe que ambos haviam tido um sonho estranho e que ninguém conseguira interpretar os presságios que traziam envoltos em mistério. Yossef lhes disse: "Porventura, não pertencem, as interpretações, ao Todo Poderoso? Contem-me os sonhos, rogo-lhes!"

O Sommelier Real lhe conta, então, o sonho e Yossef prontamente o interpreta. "Dentro de três dias, o Faraó o reconduzirá a seu posto". Acreditando que aquele homem fosse o instrumento para a sua própria liberdade, pede-lhe que interceda em seu favor: "Se, apenas puder pensar em mim e interceder por mim perante o Faraó, quando as benesses estiverem sobre si, talvez isso me liberte deste confinamento". A seguir, é a vez do Confeiteiro-Chefe contar o sonho que tivera. Mas é sinistra a sua interpretação: Yossef lhe anuncia que "dentro de três dias, o Faraó ordenará que o enforquem, em uma árvore". E, de fato, é exatamente o que ocorre três dias mais tarde. Os dois são libertados - um deles retoma o seu cargo, enquanto o outro é executado. Mas, o Sommelier, uma vez refestelado em sua antiga posição, negligencia completamente a súplica de Yossef. Nem sequer o menciona ao Faraó e, pouco depois, toda aquela história perde-se nas brumas do passado.

Dez anos desde a sua prisão já tinham transcorrido quando Yossef interpreta os dois sonhos. E preso continuou por outros dois anos. Até que, um dia, um nobre, poderoso, tem um sonho perturbador cujo significado nenhum dos magos consegue desvendar. Tivera dois sonhos, mas ambos traziam o mesmo presságio. Só que dessa vez, quem tivera os sonhos não era companheiro de cela de Yossef. Era ninguém menos que o próprio Faraó...

Vice-Rei do Egito

Faraó sonhara estar próximo ao Nilo quando sete vacas, robustas e bem nutridas, emergem do rio. Logo a seguir, outras sete vacas, descarnadas e doentias, também emergem das águas e comem as primeiras.

O monarca acordou, assustado, mas, voltando a adormecer, tem outro sonho. Dessa vez viu sete robustas espigas de trigo que brotavam de um só talo. Subitamente, sete espigas ralas crescem por trás daquelas e as engolem.

As duas visões perturbam profundamente o Faraó, que convoca todos os magos e sábios do Egito para decifrar que presságio trariam. Ao ver fracassarem os magos em seu intento, um após o outro, o Chefe Sommelier conta ao Faraó acerca daquele jovem hebreu, grande interpretador de sonhos, a quem conhecera no cárcere.

Eis, pois, que após doze anos de reclusão, no dia de Rosh Hashaná, Yossef é finalmente libertado. O soberano o convoca à sua presença e lhe conta que tivera um sonho que ninguém conseguia desvendar. E que ouvira dizer que Yossef, ao ouvir um sonho, conseguia decifrá-lo... Ao que este último responde: "Não tenho poderes próprios. Mas, o Todo Poderoso talvez me faça portador de uma resposta".

O Faraó lhe relata os sonhos e Yossef prontamente os interpreta, sem hesitação. Ambos possuem o mesmo significado, diz. "D'us fez ver ao Faraó aquilo que Ele, em Sua Grandeza, está para realizar. Sete anos se aproximam nos quais haverá grande fartura e abundância de alimentos, em toda a terra do Egito. No entanto, serão seguidos por sete anos de penúria, quando toda a abundância do Egito será coisa do passado e a fome grassará por toda à parte", narra ao soberano.

Ademais de interpretar, com precisão, os sonhos do Faraó, Yossef também sugere um plano de ação, na realidade um sistema de racionamento, que garantiria alimento suficiente ao Egito nos anos de penúria para sustentar o povo todo. Maravilhado com o jovem hebreu, Faraó o nomeia Vice-Rei do Egito. "Apenas o trono nos separa", diz a Yossef. "Em nada mais estou acima de ti. Deixo toda a terra do Egito em tuas mãos e sob tua responsabilidade". Yossef tinha apenas 30 anos quando se tornou o governante de fato daquele imenso reino. Eram os seus próprios sonhos, compartilhados com seus familiares apenas, que finalmente começavam a se desenrolar.

Como prenunciado nos sonhos do Faraó, chegaram os sete anos de abundância. E, então, como alertado por Yossef, chegaram também os anos de penúria e escassez. A fome de fato grassava em quase todo o mundo, mas graças ao filho de Yaacov, havia pão e sustento para todos, no Egito.

E os irmãos descem ao Egito...

A terrível escassez não poupara nem a Terra Santa. Quando Yaacov fica ciente de que o Egito vendia alimentos a forasteiros, envia seus filhos para que lá comprem as provisões. Para trás apenas ficou Benjamin, a pedido do pai, pois que um dos filhos de Rachel era tido por morto e ele, Yaacov, não se arriscaria a perder o outro.

No Egito, Yossef, em pessoa, dividia o racionamento dos alimentos entre as pessoas. Quando chegam os dez irmãos, estes não o reconhecem; mas ele jamais os esqueceria e os reconhece de imediato. Yossef vê o seu sonho tomando forma e corpo, ali, diante de seus olhos, quando os irmãos se prostram a seus pés, aos pés do Vice-Rei do Egito.

Foi quando Yossef decide pôr os irmãos à prova. Acusa-os de serem espiões - uma acusação que negam, com veemência. "Somos doze irmãos", lamentam-se. "Um deles ficou ao lado de nosso pai e o outro, está morto". Mas Yossef, fingindo não crer em suas palavras, manda-os à prisão. Três dias depois, liberta nove deles para que pudessem levar as provisões a seu pai e seus familiares. Mas a um dos irmãos, Shimon - aquele que o empurrara para o poço - ele mantém preso. E diz aos demais que se realmente estivessem falando a verdade, que voltassem à sua presença trazendo o irmão menor. Aí, sim, libertaria o irmão mantido como refém.

Os irmãos, perplexos com a acusação e a estranha exigência imposta pelo Vice-Rei, voltam para casa e contam ao pai tudo o que ocorrera no Egito. Yaacov grita de desespero quando fica sabendo da prisão de Shimon, proibindo que Benjamin saia de seu lado. Mas, com o agravamento da escassez de alimentos, esgotaram-se as provisões de sua família. Na falta de outra solução, o patriarca decide enviar os filhos novamente ao Egito, em busca de mais mantimentos. Mas o filho Yehudá o faz recordar a condição imposta pelo Vice-Rei - que só retornassem à sua presença acompanhados do irmão mais novo. Implora, pois, ao pai que o deixe levar o jovem com ele. "Se eu não o trouxer de volta aqui, meu pai, diante de seus olhos, terei cometido um pecado que me acompanhará até o último de meus dias".

Yaacov finalmente aquiesce e todos os irmãos descem ao Egito. Eles se apresentam diante do Vice-Rei, sem a menor desconfiança quanto à verdadeira identidade do potentado. Ao se deparar com Benjamin, seu irmão verdadeiro, filho como ele de Rachel e Yaacov, convida a todos para almoçar em sua companhia. Shimon é libertado e, juntos, são conduzidos ao palácio em que vivia Yossef. Este, quando estão todos reunidos, pergunta pela saúde do pai e ouve, aliviado, que Yaacov ainda vive. E, novamente, cumprindo a visão que Yossef tivera em seus sonhos, os irmãos voltam a se prostrar no chão, diante dele.

O Vice-Rei dirige sua atenção a Benjamin, dizendo: "Este deve ser o menor de vocês, sobre quem falavam". E, a seguir, abençoa o jovem: "Que D'us te cubra de Suas Graças, meu filho". E, tomado pela emoção, sai, às pressas, do salão, para encobrir seu pranto. Ao retornar, sentam-se à mesa para a refeição. E Yossef retoma o teste que fazia com seus convivas: propositalmente favorece Benjamin, servindo-lhe porções cinco vezes maiores que as dos demais. Assim agia para ver se eles se voltariam contra o outro filho de Rachel, como haviam feito com ele próprio, décadas antes.

A revelação.

Quando tudo termina e os onze se preparam para partir, Yossef, em segredo, ordena ao seu intendente que "encha as sacas daqueles homens com o máximo de alimento que consigam transportar ... colocando de volta, no topo da saca, o valor que cada um havia pago pelas provisões. E, ademais, na saca do mais jovem, coloque o meu cálice de orações - o cálice de prata pura - em cima de tudo".

Quando os irmãos mal tinham deixado a capital do Egito, Yossef ordena ao intendente que os alcance e prenda, sob a acusação de haverem roubado o cálice de prata do Vice-Rei.

O funcionário assim procede. Ao serem acusados do roubo, negam, veementes, exclamando: "Se algum de nós estiver de posse do cálice, ele deverá ser morto. E quanto aos demais, leve-nos como escravos". O intendente, seguindo à risca as instruções de Yossef, responde: "Meu escravo será exclusivamente aquele que estiver de posse do valioso objeto. Os demais estarão livres para partir". E inspeciona cada uma das sacas e, obviamente, encontra o cálice onde o colocara - nos pertences de Benjamin. Os irmãos, mudos de espanto e em desespero, rasgam suas roupas em sinal de luto. E são todos reconduzidos ao palácio. Quando são levados diante do Vice-Rei, atiram-se ao solo, em súplica. Yehudá, sem desconfiar que se dirige a seu meio-irmão Yossef, faz uma referência explícita à venda daquele que está diante dele. Implora-lhe: "Como poderemos provar nossa inocência? D'us encobriu nosso antigo crime. Fazei-nos escravos, para que vos sirvamos - nós e aquele em cuja posse foi encontrado o cálice!"

Mas o Vice-Rei, recusa, determinado. E lhes diz: "Aquele com quem foi encontrado o cálice será meu escravo. Os demais, partam em paz ao encontro de seu pai". Yehudá suplica em favor do irmão, oferecendo sua própria vida e liberdade em troca: "Permiti que eu fique como escravo em seu lugar. Deixai partir nosso jovem irmão com os demais!". Mas, como o Vice-Rei continua inflexível em sua recusa, o homem reúne uma força descomunal para enfrentar o poderoso governante em seu próprio reinado. Diz o Midrash que, em sua ira, Yehudá teria sido capaz de "esmagar lingotes de ferro com os dentes". E brada ao Vice-Rei, ameaçador: "Se eu desembainhar a minha espada, destruirei vosso reino de um extremo a outro!". Ao que José retruca: "Desembainha, então, tua espada e a torcerei ao redor de teu pescoço". Até que, por fim, Yehudá ordena aos irmãos que incendeiem aquelas terras, deixando que o Egito seja devastado.

Nesse ponto, Yossef finalmente compreende as razões para o sofrimento pelo qual passara. Yehudá - aquele mesmo que o vendera - estava-se oferecendo a si próprio como escravo, para que Benjamin pudesse voltar aos braços do pai. Seus dez irmãos, que por pouco não o haviam assassinado, estavam dispostos ao embate com um poderoso reino para salvar o outro filho de Rachel. Naquele instante, Yossef compreendeu que todas as suas provações e atribulações - os sonhos, a venda, as falsas acusações que lhe foram imputadas, a prisão injusta - tudo fora decretado por D'us, tudo fora parte de um grande projeto Divino, para que ele pudesse salvar não apenas sua família, mas também o Egito e grande parte da humanidade. E, de uma forma que talvez constitua a passagem mais tocante da Torá, Yossef se revela aos irmãos. Pede que seus auxiliares saiam do recinto para que pudesse ficar a sós com seus familiares.

E se desfaz em pranto. E nós, a cada vez que lemos essa passagem, não conseguimos evitar chorar com ele. Conta a Torá que seus soluços eram tão altos, que mesmo fora do palácio se podia ouvi-los. "Sou Yossef", exclama diante dos irmãos, "estará vivo, meu querido pai?"

Os irmãos, atônitos, não conseguiam emitir um som, em resposta. Yossef lhes pede que se aproximem e conta: "Sou Yossef, seu irmão, a quem venderam ao Egito. Mas, peço-lhes que não tenham medo nem remorsos por tê-lo feito. Ouçam! D'us, que tudo pode, afastou-me de vocês para que eu poupasse muitas vidas! Nem foram vocês que me fizeram aqui chegar, mas D'us. Foi Ele, em Sua Glória, que me fez Vizir do Faraó, para dirigir todo o seu reinado e ditar sobre toda a terra do Egito".E então, Yossef atira-se nos braços de Benjamin e, juntos, choram, emocionados. E beija seus meio-irmãos e, igualmente, chora em seus ombros.

Quando o Faraó descobre que os irmãos de Yossef estavam no Egito, convida-os, juntamente com o pai e demais familiares, para lá viver. Oferecia-lhes moradia onde o que de melhor o país tivesse a oferecer.

Os irmãos retornam à sua terra e contam ao pai que Yossef estava vivo e era ninguém outro senão o poderoso Vice-Rei do Egito. A notícia era tão extraordinária que, a princípio, o patriarca não lhes dá crédito. Mas ao ver as carruagens e carroças que seu filho enviara para transportá-los ao Egito, seu espírito renasceu. E, ao superar a depressão que se tornara sua fiel companheira, após 22 anos de silêncio, D'us se lhe aparece diante dos olhos para lhe dizer que não temesse partir para o Egito, pois "é naquela terra que hei de fazer de ti uma grande nação!".

O encontro entre pai e filho foi de uma emoção devastadora. Apesar de ser a pessoa mais importante do Egito, Yossef, pessoalmente, atrela os cavalos de sua carruagem para ir ao encontro do pai. Ao vê-lo, após tantos anos, joga-se em seus braços e deixa esvair-se em lágrimas toda a sua emoção. E Yaacov diz ao filho amado: "Agora posso ir-me em paz, pois vi teu rosto com vida e vigor".

E assim, o patriarca Yaacov e sua família fincaram suas raízes no Egito, na terra de Goshen. Muitas décadas depois, quando ele e todos os seus filhos já tinham deixado este mundo, os egípcios deixaram para o esquecimento o fato de que um Vice-Rei, filho do povo hebreu, os salvara da penúria e da morte por inanição. Começaram a perseguir o povo de Yossef até que D'us "recordou-Se" de Sua promessa aos patriarcas e enviou Moshé para libertar os Filhos de Israel. Esta, no entanto, já é outra história - a história de Pessach - que nas noites do Seder que se aproximam, iremos contar e recontar a nossos filhos, e aos filhos de nossos filhos, como vimos fazendo há gerações.

Um justo entre os homens.

Acabamos de fazer um relato muito sumário da vida de Yossef. Há tanto mais a ser dito e são inúmeras as perguntas e divagações que, em sua riqueza e profundidade, sua bela história requer. Basta dizer que ocupa quatro partes da Torá e um incontável número de páginas das obras de nossos Sábios.

Lançamos, no início do texto, uma pergunta que é primordial em sua biografia. É chegado o momento de tentar respondê-la: por que razão Yossef é destacado, na Torá, como sendo um Tzadik - um homem verdadeiramente justo?

Yossef é considerado mais justo do que os que o precederam ou sucederam não apenas por ter resistido aos encantos e investidas de uma mulher belíssima. A razão para tal se encontra em sua vida adulta, época em que agiu imaculadamente aos olhos de D'us e aos olhos dos homens. Atribuía a D'us todos os seus talentos e seus sucessos, permanecendo devoto e temente ao Senhor de tudo o que há sobre a Terra. Murmurava as preces, em silêncio, enquanto trabalhava, nunca deixando que o sucesso e a glória lhe subissem à cabeça ou lhe tomassem o coração. Homem atraente, rico e poderoso, podia ter a mulher que desejasse, no Egito. Quando passava, as princesas egípcias atiravam-lhe aos pés suas jóias, tentando atrair sua atenção. Mas ele a todas ignorava. Permaneceu casto até se casar, com uma filha de seu povo, graças à Divina Providência.

Após ter sido vendido pelos irmãos, Yossef teria todos os motivos para esquecê-los e, com isso, virar a página de sua identidade judaica. Contudo, sempre fez questão de se revelar como filho do povo hebreu - fosse na casa de Potifar, na prisão ou ao longo de toda a vida como governador do Egito. Quando Faraó o alçou ao cargo de Vice-Rei, deu-lhe um novo nome - Tzafnat Paneach, o rompedor de códigos - mas ele de todos os títulos abriu mão, para ficar com o nome judaico que recebera de seus pais: Yossef , filho de Yaacov e Rachel.

Yossef poderia ter-se questionado por que seu pai nunca fora à sua procura; mas, por outro lado, até hoje nossos estudiosos se digladiam com uma incômoda indagação: por que motivo Yossf, mesmo depois de se tornar Vice-Rei do Egito, esperou tantos anos para buscar um contato com o pai... Sabe-se, no entanto, que nem por um momento se olvidou nem tampouco deixou de amar a Yaacov. Pensava com freqüência no pai e esta teria sido a fonte de onde bebia a força com que venceu todas as tentações enfrentadas no Egito. Através de sua vida, intacta permaneceu a lealdade ao pai.

Quando pediu que os irmãos o trouxessem ao Egito, disse: "Peço-lhes, por favor, que lhe detalhem todas as honras com que me agraciaram". O Rebe de Kotzk, Menachem Mendel, lançou a pergunta: "Como imaginar que tamanha expressão de vaidade pudesse sair dos lábios puros de Yossef?! Não! Essa passagem tem que ser interpretada de maneira totalmente distinta: Yossef disse a seus irmãos, 'Peço-lhes, por favor, que digam a meu pai que sou capaz de receber tantas honrarias sem deixar que as mesmas afetem o meu caráter'". O patriarca nada tinha a temer - o poderoso e abastado governador do Egito continuava sendo aquele filho amado e íntegro que ele criara e conhecera.

Quanto a seus irmãos, Yossef poderia ter-se vingado pelo sofrimento imenso que lhe haviam causado. Preferiu, no entanto, perdoar. Bem verdade que os colocou à prova, chegando a manter Shimon como refém. Mas, como revela o Midrash, quando os irmãos não estavam por perto, Yossef o livrava da cela, alimentando-o com o que de melhor havia e agraciando-o com todas as regalias, como um anfitrião gentil e poderoso sabe fazer. Morto o pai, assustaram-se os irmãos pensando que Yossef fosse, por fim, acertar as contas com eles. Mas o irmão apenas lhes disse: "Se dez velas não foram capazes de extinguir a luz de uma única, como poderia essa única extinguir dez velas?" E soluçou de mágoa ao constatar que tal pensamento lhes tivesse sequer ocorrido - de que ele buscaria por vingança. "Não têm por que temer. Hei de prover-lhes por todas as suas necessidades, bem como as de seus filhos".

E não se limitou a ajudar apenas a seus familiares. Yossef foi um judeu que, à semelhança de tantos outros que vieram depois dele, assumiu a responsabilidade de zelar por todos os que buscaram o seu auxílio. Com os múltiplos talentos e a capacidade com que D'us o tinha abençoado, empenhou-se para salvar o Egito - o mesmo país que injustamente o mantivera preso durante 12 anos - bem como a muitas outras nações que a ele se voltaram em busca de alimento.

Mesmo após a sua morte, Yossef continuou a atuar em prol de seu povo. Diferentemente de seu pai que foi enterrado em Hebron, ele foi posto em um caixão e no Egito permaneceu - até que os judeus fossem libertados dos grilhões da escravidão. Sua alma desejava a proximidade com eles, para assim melhor interceder junto ao Todo Poderoso, em favor de sua gente. Segundo a Cabalá, foi por mérito de Yossef - e não de Moshé - que o Mar de Juncos se dividiu para que os judeus pudessem, por fim, escapar do jugo egípcio, em sua jornada em direção ao Monte Sinai.

A Torá usa uma única palavra para descrever Yossef: "belo". Mas, merecerá, também, o aposto de "Tzadik"? Não resta dúvida que sim. Foi um homem extraordinário e a história de sua vida faz justiça à sua grandeza de espírito. Uma história de sonhos e sonhadores, é, indiscutivelmente, a mais tocante em toda a Torá. Os pensamentos e as emoções que a mesma desencadeia tocam fundo a alma do gênero humano. Pois, de uma forma ou de outra, todos encontramos algum tipo de afinidade com seus sonhos e seus anseios, suas angústias e seu júbilo, seus problemas e seus sucessos. A história de Yossef mostra como a pessoa pode estar no mais profundo dos abismos - para de lá ser impulsionada aos píncaros das alturas.

É a história da vida - e de tudo aquilo que a torna tão extraordinária.

Tev Djmal

Bibliografia

· The Living Torah - by Rabbi Aryeh Kaplan - Maznaim Publishing Corporation

· The Chumash - The Stone Edition - by Rabbi

· Nosson Scherman - The Artscroll Series

· Messengers of G-d: Biblical Portraits and Legends by Elie Wiesel - Simon and Schuster

parasha vaeieshev

PARASHÁ VAIESHEV a y i e

Para os cabalistas a idéia por trás do exílio dos hebreus em Mitzraim (Egito) está relacionada diretamente ao exílio da alma dentro do corpo físico e também no universo da fisicalidade. Para os cabalistas, Yosef é uma parte (porção) de nossa consciência centrada no Ruach ("espírito"), e uma parte de nossa memória espiritual, uma memória que nos permite estar freqüentemente atento ao que viemos objetivamente realizar nesta vida. Yessod é essencialmente Yesh (Há) + Sod (segredo), e isso significa que por intermédio desta sefirá temos acesso aos mistérios espirituais que envolvem nossa existência, os segredos de nossa alma. A vinda de Yosef para Mitzraim (Egito), marca a entrada de uma nova consciência dentro do mundo físico, a consciência espiritual. Os sábios nos ensinam que Yosef trouxe a Shechiná (Presença Divina) para Mitzraim. Essa é a grande função e missão da alma do tzadick dentro do mundo físico – trazer para a experiência da fisicalidade a revelação da Luz do Mundo Infinito e a Consciência Infinita. Yosef é uma representação da alma de todo o tzadick (justo), cuja regência está diretamente à capacidade de gerar e refletir a Luz do Mundo Infinito por intermédio da restrição. Este é o grande mistério por trás da letra TZADICK – a total submissão aos princípios espirituais.

"Yosef foi baixado a Mitzraim..." Gn: 39:1

Assim também a alma do tzadick é levada, conduzida ao mundo físico para poder revelar a Luz Infinita.

"E esteve o Eterno com Yosef, e foi um homem prospero..." Gn: 39:2

Apesar de todos os grandes problemas e restrições que marcaram a vida de Yosef, o poder do Nome Sagrado está com ele e isso é a garantia de seu triunfo.

"E viu seu senhor que o Eterno estava com ele, e, em tudo o que ele faz ia, o Eterno estava com ele, e , em tudo o fazia , o Eterno o fazia prosperar." Gn: 39:3

O "Adôn" (senhor) é uma representação do corpo físico, pois o mesmo em Mitzraim exerce um poder sobre nós por intermédio de suas necessidades. Mas Yosef não está submetido à consciência de seu Adôn (senhor), ele reconhece que tudo o que acontece dentro do mundo físico é reflexo de nossas ações nos outros "mundos" (olamot). Para os cabalistas existem quatro etapas do surgimento da Luz, e as quatro etapas do surgimento da Luz do Mundo Infinito podem ser comparados aos círculos concêntricos formados quando jogamos uma pedra em um lago. A primeira etapa da Luz, a Sabedoria (Chochmá) causa a segunda fase, a Compreensão (Biná), que por sua vez é o potencial para formar a Beleza (Tiferet) em seguida, e por último o Reino (Malchut), de onde se desperta por completo o desejo de receber e finalmente se revelam e se manifestam as forças que se encontram em potencial nas quatro fases da Luz. Desta forma, aprendemos que tudo aquilo que acontece em Malchut é resultado do que primeiro brotou no território da Emanação. Tudo se inicia por Chochmá cuja virtude é a auto-anulação (bitul). Todo o cabalista sabe que somente por intermédio da auto-anulação do ego é possível transcender os limites da fisicalidade e conectar-se a FONTE de toda a Luz Infinita.

Os cabalistas nos ensinam que tanto a primeira quanto a terceira fase são "fecundadoras" da Luz e por isso são associadas à energia masculina, já a segunda e a quarta fase são consideradas "reveladoras" da Luz e por isso são descritas como femininas. No texto da Torá, da porção desta semana, Potiphar é um eunuco, ou seja, sem potencial "fecundador" e por isso representando a parte de nossa alma incapaz de transformar a realidade, necessitando de Yosef para conseguir prosperar. Logo, aprendemos que, quem prospera é o espírito e não as forças da fisicalidade. O que modifica o nosso universo exterior (Mitzraim) é o nosso universo interior (Yosef). Em Malchut (Mitzraim) temos unicamente a natureza ilusória da existência. O mundo verdadeiro é o mundo espiritual e está oculto. Mas apesar disto, a Luz do Mundo Infinito (Or Ein Soph) – tudo o que é, foi e será – está presente neste mundo de ilusão. A Sabedoria Infinita está dentro de nós e a nossa volta, apenas se encontra fora do alcance de nossos sentidos racionais.

Mas se a realidade está aqui. Por que não a experimentamos?
A Cabalá nos ensina que o propósito da criação foi ocultar o Infinito, para que fosse possível criar um circuito de energia através da resistência positiva e desta forma afastarmos a energia negativa conhecida como "desejo de receber para si mesmo". Mesmo que não seja possível ver a Realidade (Olam Tikun), podemos por intermédio da resistência positiva, revelar a Luz do Mundo Infinito e eliminar desta forma as força de Nachash em nossas vidas. Nossa capacidade para transcender a ilusão e nos conectarmos a Consciência Infinita da existência, depende de um processo de três etapas: AUTO-ANULAÇÃO, CONTENTAMENTO e SEPARAÇÃO.

O ato de auto-anulação estabelece uma conexão com o universo extra físico, pleno e completo (apesar de oculto). Esta é a consciência que nos permite perceber que há um universo Infinito – aqui mesmo, dentro deste mundo físico – abrindo a nossa mente para novas possibilidades. Assim sendo, a auto-anulação e o acesso à mente contemplativa representa a etapa inicial na jornada rumo a transcendência. O exercício aqui é ter a consciência de que você é parte da totalidade existente no mundo e parte dos planos do Eterno. O segundo nível da percepção Infinita é o contentamento pleno. Neste estágio temos que compreender que há estados de consciência infinitamente "superiores" e "mais puros" que aqueles accessíveis a mente que acompanha nossas rotinas cotidianas. Este estado de contentamento (atributo de Biná) não se refere a uma fé cega e sim a uma experiência emocional que nasce do conhecimento.

Aqui o cabalista vislumbra a sua completude e plenitude e deve se sentir absolutamente preenchido com a Luz do Mundo Infinito. Tudo o que possui é tudo o que precisa para sua mais plena realização e crescimento. Este estado de contentamento é representado pela alegria e o entusiasmo mesmo diante da adversidade. A separação é a terceira etapa da jornada em direção a conexão de nosso espaço interior, a consciência com o nosso espaço exterior. Para que seja estabelecida a consciência do Or Ein Soph que nos rodeia, temos que nos libertarmos das limitações que nos impõe a ilusão material. Sobretudo a identificação que temos com os aspectos da fisicalidade que promovem o fortalecimento de uma "auto-imagem residual" limitada e restrita as leis do mundo físico. Enquanto esta "separação" não ocorrer, não haverá espaço para o milagre. Aqui também o cabalista deve aprender a manter-se separado de tudo o que estimula o seu Yêtzer Hará. A resistência da ilusão material é a chave para o Olam HaBá (Consciência Infinita). Através do processo das três fases de "auto-anulação", "contentamento" e "separação" do Mundo da Restrição Material, transcendemos a ilusão e criamos um canal aos estados superiores de consciência. Assim, não sendo obstáculo para a revelação da Luz, o cabalista procura se tornar um meio pelo qual a Shechiná se revela no Mundo Físico. Assim como nos ensinou Yosef HaTzadick por seu exemplo.

"Em todos locais que os chassidim vão, a Shechiná vai com eles e não os abandona. Yosef caminhou no vale da sombra da morte e o fizeram descer para o Egito, e a Shechiná estava com ele,..." Zohar – Vaieshev

parasha vaieshev

PARASHÁ VAIESHEV a y i e

Velas: 19:04h
Termino: 20:03h

História da semana:

O Rabino Israel de Chortkov costumava contar a seguinte história sobre seu avô, o Rabino Aharon de Titov, neto do Baal Shem Tov: Quando jovem, o Rabino Aharon vivia em Konstantin. Sua estrela ainda não havia começado a brilhar no horizonte, e não se sabia quem realmente era aquele pobre estudante atrás do forno. Ele passava os dias estudando, e ninguém parecia se importar se ele tinha o suficiente para comer ou alimentar sua família, pois ele nunca falava com ninguém.

Quando não podia mais suportar a pobreza em sua casa, o rabino Aharon levantou-se e exclamou em voz alta diante de todas as pessoas do Beit Midrash (casa de estudos): "Por quanto tempo precisarei estar entre vocês para que percebam que sou neto do Baal Shem Tov e que estou morrendo de fome? Ninguém pergunta ou se importa?"

As pessoas estavam chocadas com a revelação. Não, eles não haviam prestado atenção no jovem estudante, e isso deveria ser concertado imediatamente. Assim, os gabaim reuniram-se prontamente e decidiram entregar uma verba semanal ao Rabino Aharon. Mais tarde, quando o Beit Midrash se esvaziara, o Rabino Avraham irrompeu em lágrimas de auto-acusação. "Por que eu tinha que abrir a boca? Por que tinha que pedir ajuda? Não me arranjara sempre, até hoje, confiando na misericórdia e bondade de D’us? Que coisa tola eu fiz, tornar-me dependente das graças da humanidade!".

Ele chorou amargamente. O que poderia fazer? Poderia trazer de volta palavras que já haviam sido ditas? Não, não poderia fazer isso. Mas poderia rezar para que D’us fizesse as pessoas se esquecerem das que tinham ouvido!
Decidido, o Rabino Avraham rezou durante toda à noite. Ficou do lado da mezuzá, implorando que D’us fizesse as pessoas se esquecerem do que dissera no Beit Midrash.
Na manhã seguinte, ele estava em seu lugar habitual, atrás do forno. Ninguém o notara; ninguém sequer parou para dizer-lhe "bom dia". Ele estava fora do alcance da vista. Quanto à comoção do dia anterior, quando todos prometeram ajudá-lo – tudo isso fora esquecido. Sua prece fora verdadeiramente aceita!

"Foi com meu avô" – disse o Rabino Israel – "que aprendi a simples explicação do midrash que declara que Yossef era afortunado por não depositar sua confiança nos seres humanos”. Mas a Tora relata especificamente que ele pedira ao copeiro que o lembrasse ao Faraó! É verdade. Por um momento, Yossef se esqueceu da sua confiança em D’us e apelou ao copeiro. Mas percebeu imediatamente seu pecado e rezou para D’us a fim de que fizesse o copeiro se esquecer do pedido.

Este é o significado de "... e o chefe dos copeiros não se lembrou de Yossef". Por que?Porque "esqueceu-o" – ou seja, Yossef fez que esquecesse, rezando para que D’us apagasse o pedido de sua mente.

Halachot da semana:

Guia prático de Chanuká - 2007 -

* Chanuká é uma festa muito especial e bonita. Todos gostam de participar: idosos, adultos e crianças. Portanto, temos que aproveitar essa oportunidade "caída dos céus" (literalmente) e acender a chanukiá com toda a família reunida. Quem trabalhar até tarde, é importante que nessa semana de Chanuká chegue em casa enquanto as crianças ainda não foram dormir.

* Uma pessoa que sabe que chegará bem tarde em casa pode pedir para que outra pessoa acenda as velas em sua casa por ela. No caso do marido, o ideal é pedir para sua esposa.

* Este ano acendemos a primeira vela de Chanuká na terça-feira, dia 4 de dezembro à noite, e a última no dia 11 de dezembro, terça-feira, quando acendemos as oito velas.

* A cada dia acrescentamos uma vela: no primeiro dia acendemos uma, no segundo duas e assim por diante. Quem deixou de acender algum dia, por qualquer motivo, no dia seguinte acenderá normalmente o número correspondente de velas ao dia, como aquele que não deixou de acender.

* As velas de chanuká não precisam de nenhum certificado de kashrut. Já a chanukiá é importante observar que todas as velas estejam na mesma altura, com exceção do Shamash. Mesmo uma pessoa que não tenha uma Chanukiá pode improvisar, bastando colocar todas as velas alinhadas na mesma altura.

Procedimento no acendimento das velas:

Na primeira noite, recitamos todas as Brachot seguintes, nos outros dias, só as duas primeiras:

1. Baruch Atá Ado-nai Eloheinu Melech Haolam, asher kideshánu bemitzvotav vetzivánu lehadlik ner shel Chanuká

2. Baruch Atá Ado-nai Eloheinu Melech Haolam, sheassá nissim laavoteinu baiamim hahem bazman hazê

3. Baruch Ata Ado-nai Eloheinu Melech Haolam, Sheecheiánu Vekiemánu Vehiguiánu Lazman Hazê

* Antes de recitar as brachot, acende-se o shamash (para quem usa azeite acende-se uma vela separada), recita-se as brachot e aí acendemos as velas. Quem usa azeite, acende o shamash por último.

* Na primeira noite a vela deve estar na extremidade direita da chanukiá . Na segunda noite a vela acrescentada está imediatamente à esquerda da anterior, e assim por diante.

* A partir da segunda noite, após recitarmos as brachot, começamos a acender a partir da velas acrescentada ou seja, à esquerda do dia anterior. Em outras palavras, a ordem do acendimento é da esquerda para direita.

* O tempo mínimo que a vela precisa arder para que a mitzvá seja cumprida é meia hora, sendo aconselhável então comprar velas que durem, no mínimo, uma hora.

* Os trinta minutos acima citados têm que ser de noite, sendo neste ano a partir das 19:50h.

* No Shabat, devemos acender as velas antes do acendimento das velas do Shabat, este ano às 19:09h. Se por algum motivo as velas de Chanuká não foram acessas neste horário e o Shabat já entrou, é proibido acendê-las, pois em vez de fazermos uma mitzvá estaremos cometendo um pecado.

* Este ano, acendemos a Chanukiá antes das velas de Shabat no quarto dia e depois da Havdalá, no quinto dia.

# Uma vez que na sexta-feira acendemos as velas antes do pôr-do-sol, e por outro lado elas devem arder trinta minutos durante a noite, as velas devem ser de tamanho que durem, pelo menos, uma hora e meia.

# No motzaei Shabat (sábado a noite) devemos esperar o término do Shabat para acender a chanukiá (este ano, a partir das 20:08). Antes fazemos a havdalá e depois acendemos as velas de Chanuká (ou ao menos dizemos "Baruch hamavdil ben kodesh lechol")

# Acendemos a chanukiá no local em que haverá maior propagação do milagre. Hoje em dia, como a maioria de nós mora em apartamento, o melhor local de acendimento é ao lado da janela, assim todos os vizinhos de outros prédios que morem em andares próximos percebem as velas de Chanuká.

# Uma vez que estamos em um período de feriados, muitas famílias viajam em Chanuká. Mesmo fora de suas casas, devem lembrar de levar uma chanukiá para que seja acessa onde quer que estejam.

# Mesmo aqueles que saem para machanot, devem levar suas chanukiot, só tomando o devido cuidado ao mexer com fogo perto de crianças.
# É proibido se aproveitar da luz das velas de Chanuká de qualquer forma, seja para acender outra vela, um cigarro (o que por si só também é proibido), ou mesmo ler sob sua luz.

# Durante os dias de Chanuká acrescentamos à tefilá o Halel completo. Na Amidá (Shmoná Esrê) acrescentamos após Modim Anachnu Lach o trecho Al Hanissim. No birkat hamazon o mesmo trecho é acrescentado depois do trecho Nodê Lechá e antes de Al Hacol (meio da 2ª brachá).

# O milagre de Chanuká é a vitória da luz sobre a escuridão, de poucos sobre muitos, da Torá sobre a assimilação. Essa é a história do nosso povo e essa história deve continuar a ser transmitida de pai para filho, de geração em geração. Faça parte dessa corrente e dê o seu exemplo pessoal a seus filhos, familiares e amigos!

Chanuká Sameach e Shabat Shalom,
Rav Rony Gurwicz


Halachot de Tal Umatar Livrachá:

Na reza da amidá, há uma berachá (bênção) onde pedimos pelo sustento de Am Israel. No entanto, dependendo da época do ano (verão ou inverno), pedimos o sustento de forma diferente, pois em épocas de chuva, o ideal é que haja chuvas em abundância, enquanto há épocas nas quais as chuvas não são boas, ou até mesmo podem ser prejudiciais ao sustento das pessoas.
Começamos a pedir pelas chuvas dia 05/12 (quarta-feira) à noite.

Agora, veremos o que ocorre com a pessoa que errou e, em vez de dizer veten tal umatar disse veten berachá.

1. Se a pessoa, em vez de falar veten tal umatar livrachá (sefaradim: barech alenu), falar veten berachá (sefaradim: barechenu), poderá ainda consertar, dizendo veten tal umatar livrachá na berachá de shomea tefilá (após as palavras reikam al teshivenu).

2. Se a pessoa já finalizou a berachá de shomea tefilá, deve voltar para a berachá de barech alenu e daí continuar a amidá.
3. Se a pessoa somente se lembrou após ter terminado a amidá, deve retornar ao começo da amidá.

4. Se a pessoa está em dúvida se disse veten tal umatar, ou não, deverá voltar ao início da amidá, pois provavelmente falou como está acostumado, a não se que já tenham se passado 30 dias de quando se passou a dizer veten tal umatar.

Shabat Shalom!

Rav Benjamin Zaguri

parasha mikets

PARASHÁ MIKÊTS U w n

Shabat: Prosperidade

Energia: Tiferet de Guevurá - A Beleza da Disciplina


Meditação: Ter disciplina para fazer determinadas atividades em nossa vida é difícil. Mais difícil ainda é fazer essas atividades com Beleza. A Beleza de Tiféret não é meramente uma questão estética. Ela se refere à injeção de sentimento em algo, o cuidado para que não haja um comportamento robótico, sem atenção ou consciência. A contínua repetição dos mesmos procedimentos tende a torná-los mecânicos. Como evitar isso? Adicionando Beleza. Quando você se envolve verdadeiramente com os rituais, cada prática tem um esplendor diferente, uma mensagem que se destaca, um sentimento novo que aflora. Trazer Beleza para a Disciplina transforma as atividades mais chatas que temos de fazer em momentos mais prazerosos.



Exercício: Faça uma avaliação sincera e perceba como tem conduzido as coisas. Não se trata apenas do cumprimento das mitzvot (conexões), mas também de todas as atividades com as quais está comprometido dia após dia. Você desenvolve as suas atividades, que precisam de disciplina, da melhor forma possível, ou torna a rotina algo robótico? Torne a disciplina uma benção e não uma maldição!


Bereshit: 43:16

Salmo : 40


PARASHÁ MIKÊTS U w n


Gn 41:1 - 44:17

Gn 41
1 Passados dois anos completos, Faraó teve um sonho. Parecia-lhe achar-se ele de pé junto ao Nilo.
2 Do rio subiam sete vacas formosas à vista e gordas e pastavam no carriçal.
3 Após elas subiam do rio outras sete vacas, feias à vista e magras; e pararam junto as primeiras, na margem do rio.
4 As vacas feias à vista e magras comiam as sete formosas à vista e gordas. Então, acordou Faraó.
5 Tornando a dormir, sonhou outra vez. De uma só haste saíam sete espigas cheias e boas.
6 E após elas nasciam sete espigas mirradas, crestadas do vento oriental.
7 As espigas mirradas devoravam as sete espigas grandes e cheias. Então, acordou Faraó. Fora isto um sonho.
8 De manhã, achando-se ele de espírito perturbado, mandou chamar todos os magos do Egito e todos os seus sábios e lhes contou os sonhos; mas ninguém havia que lhos interpretasse.
9 Então, disse a Faraó o copeiro-chefe: Lembro-me hoje das minhas ofensas.
10 Estando Faraó mui indignado contra os seus servos e pondo-me sob prisão na casa do comandante da guarda, a mim e ao padeiro-chefe,
11 tivemos um sonho na mesma noite, eu e ele; sonhamos, e cada sonho com a sua própria significação.
12 Achava-se conosco um jovem hebreu, servo do comandante da guarda; contamos-lhe os nossos sonhos, e ele no-los interpretou, a cada um segundo o seu sonho.
13 E como nos interpretou, assim mesmo se deu: eu fui restituído ao meu cargo, o outro foi enforcado.
14 Então, Faraó mandou chamar a José, e o fizeram sair à pressa da masmorra; ele se barbeou, mudou de roupa e foi apresentar-se a Faraó.
15 Este lhe disse: Tive um sonho, e não há quem o interprete. Ouvi dizer, porém, a teu respeito que, quando ouves um sonho, podes interpretá-lo.
16 Respondeu-lhe José: Não está isso em mim; mas D’us dará resposta favorável a Faraó.
17 Então, contou Faraó a José: No meu sonho, estava eu de pé na margem do Nilo,
18 e eis que subiam dele sete vacas gordas e formosas à vista e pastavam no carriçal.
19 Após estas subiam outras vacas, fracas, mui feias à vista e magras; nunca vi outras assim disformes, em toda a terra do Egito.
20 E as vacas magras e ruins comiam as primeiras sete gordas;
21 e, depois de as terem engolido, não davam aparência de as terem devorado, pois o seu aspecto continuava ruim como no princípio. Então, acordei.
22 Depois, vi, em meu sonho, que sete espigas saíam da mesma haste, cheias e boas;
23 após elas nasceram sete espigas secas, mirradas e crestadas do vento oriental.
24 As sete espigas mirradas devoravam as sete espigas boas. Contei-o aos magos, mas ninguém houve que mo interpretasse.
25 Então, lhe respondeu José: O sonho de Faraó é apenas um; D’us manifestou a Faraó o que há de fazer.
26 As sete vacas boas serão sete anos; as sete espigas boas, também sete anos; o sonho é um só.
27 As sete vacas magras e feias, que subiam após as primeiras, serão sete anos, bem como as sete espigas mirradas e crestadas do vento oriental serão sete anos de fome.
28 Esta é a palavra, como acabo de dizer a Faraó, que D’us manifestou a Faraó que ele há de fazer.
29 Eis aí vêm sete anos de grande abundância por toda a terra do Egito.
30 Seguir-se-ão sete anos de fome, e toda aquela abundância será esquecida na terra do Egito, e a fome consumirá a terra;
31 e não será lembrada a abundância na terra, em vista da fome que seguirá, porque será gravíssima.
32 O sonho de Faraó foi dúplice, porque a coisa é estabelecida por D’us, e D’us se apressa a fazê-la.
33 Agora, pois, escolha Faraó um homem ajuizado e sábio e o ponha sobre a terra do Egito.
34 Faça isso Faraó, e ponha administradores sobre a terra, e tome a quinta parte dos frutos da terra do Egito nos sete anos de fartura.
35 Ajuntem os administradores toda a colheita dos bons anos que virão, recolham cereal debaixo do poder de Faraó, para mantimento nas cidades, e o guardem.
36 Assim, o mantimento será para abastecer a terra nos sete anos da fome que haverá no Egito; para que a terra não pereça de fome.
37 O conselho foi agradável a Faraó e a todos os seus oficiais.
38 Disse Faraó aos seus oficiais: Acharíamos, porventura, homem como este, em quem há o Espírito de D’us?
39 Depois, disse Faraó a José: Visto que D’us te fez saber tudo isto, ninguém há tão ajuizado e sábio como tu.
40 Administrarás a minha casa, e à tua palavra obedecerá todo o meu povo; somente no trono eu serei maior do que tu.
41 Disse mais Faraó a José: Vês que te faço autoridade sobre toda a terra do Egito.
42 Então, tirou Faraó o seu anel de sinete da mão e o pôs na mão de José, fê-lo vestir roupas de linho fino e lhe pôs ao pescoço um colar de ouro.
43 E fê-lo subir ao seu segundo carro, e clamavam diante dele: Inclinai-vos! Desse modo, o constituiu sobre toda a terra do Egito.
44 Disse ainda Faraó a José: Eu sou Faraó, contudo sem a tua ordem ninguém levantará mão ou pé em toda a terra do Egito.
45 E a José chamou Faraó de Zafenate-Pané ia e lhe deu por mulher a Asenate, filha de Potífera, sacerdote de Om; e percorreu José toda a terra do Egito.
46 Era José da idade de trinta anos quando se apresentou a Faraó, rei do Egito, e andou por toda a terra do Egito.
47 Nos sete anos de fartura a terra produziu abundantemente.
48 E ajuntou José todo o mantimento que houve na terra do Egito durante os sete anos e o guardou nas cidades; o mantimento do campo ao redor de cada cidade foi guardado na mesma cidade.
49 Assim, ajuntou José muitíssimo cereal, como a areia do mar, até perder a conta, porque ia além das medidas.
50 Antes de chegar à fome, nasceram dois filhos a José, os quais lhe deu Asenate, filha de Potífera, sacerdote de Om.
51 José ao primogênito chamou de Manassés, pois disse: D’us me fez esquecer de todos os meus trabalhos e de toda a casa de meu pai.
52 Ao segundo, chamou-lhe Efraim, pois disse: D’us me fez próspero na terra da minha aflição.
53 Passados os sete anos de abundância, que houve na terra do Egito,
54 começaram a vir os sete anos de fome, como José havia predito; e havia fome em todas as terras, mas em toda a terra do Egito havia pão.
55 Sentindo toda a terra do Egito a fome, clamou o povo a Faraó por pão; e Faraó dizia a todos os egípcios: Ide a José; o que ele vos disser fazei.
56 Havendo, pois, fome sobre toda a terra, abriu José todos os celeiros e vendia aos egípcios; porque a fome prevaleceu na terra do Egito.
57 E todas as terras vinham ao Egito, para comprar de José, porque a fome prevaleceu em todo o mundo.

Gn 42
1 Sabedor Jacó de que havia mantimento no Egito, disse a seus filhos: Por que estais aí a olhar uns para os outros?
2 E ajuntou: Tenho ouvido que há cereais no Egito; descei até lá e comprai-nos deles, para que vivamos e não morramos.
3 Então, desceram dez dos irmãos de José, para comprar cereal do Egito.
4 A Benjamim, porém, irmão de José, não enviou Jacó na companhia dos irmãos, porque dizia: Para que não lhe suceda, acaso, algum desastre.
5 Entre os que iam, pois, para lá, foram também os filhos de Israel; porque havia fome na terra de Canaã.
6 José era governador daquela terra; era ele quem vendia a todos os povos da terra; e os irmãos de José vieram e se prostraram rosto em terra, perante ele.
7 Vendo José a seus irmãos, reconheceu-os, porém não se deu a conhecer, e lhes falou asperamente, e lhes perguntou: Donde vindes? Responderam: Da terra de Canaã, para comprar mantimento.
8 José reconheceu os irmãos; porém eles não o reconheceram.
9 Então, se lembrou José dos sonhos que tivera a respeito deles e lhes disse: Vós sois espiões e viestes para ver os pontos fracos da terra.
10 Responderam- lhe: Não, senhor meu; mas vieram os teus servos para comprar mantimento.
11 Somos todos filhos de um mesmo homem; somos homens honestos; os teus servos não são espiões.
12 Ele, porém, lhes respondeu: Nada disso; pelo contrário, viestes para ver os pontos fracos da terra.
13 Eles disseram: Nós, teus servos, somos doze irmãos, filhos de um homem na terra de Canaã; o mais novo está hoje com nosso pai, outro já não existe.
14 Então, lhes falou José: É como já vos disse: sois espiões.
15 Nisto sereis provados: pela vida de Faraó, daqui não saireis, sem que primeiro venha o vosso irmão mais novo.
16 Enviai um dentre vós, que traga vosso irmão; vós ficareis detidos para que sejam provadas as vossas palavras, se há verdade no que dizeis; ou se não, pela vida de Faraó, sois espiões.
17 E os meteu juntos em prisão três dias.
18 Ao terceiro dia, disse-lhes José: Fazei o seguinte e vivereis, pois temo a D’us.
19 Se sois homens honestos, fique detido um de vós na casa da vossa prisão; vós outros ide, levai cereal para suprir a fome das vossas casas.
20 E trazei-me vosso irmão mais novo, com o que serão verificadas as vossas palavras, e não morrereis. E eles se dispuseram a fazê-lo.
21 Então, disseram uns aos outros: Na verdade, somos culpados, no tocante a nosso irmão, pois lhe vimos à angústia da alma, quando nos rogava, e não lhe acudimos; por isso, nos vem esta ansiedade.
22 Respondeu-lhes Rúben: Não vos disse eu: Não pequeis contra o jovem? E não me quisestes ouvir. Pois vedes aí que se requer de nós o seu sangue.
23 Eles, porém, não sabiam que José os entendia, porque lhes falava por intérprete.
24 E, retirando-se deles, chorou; depois, tornando, lhes falou; tomou a Simeão dentre eles e o algemou na presença deles.
25 Ordenou José que lhes enchessem de cereal os sacos, e lhes restituíssem o dinheiro, a cada um no saco de cereal, e os suprissem de comida para o caminho; e assim lhes foi feito.
26 E carregaram o cereal sobre os seus jumentos e partiram dali.
27 Abrindo um deles o saco de cereal, para dar de comer ao seu jumento na estalagem, deu com o dinheiro na boca do saco de cereal.
28 Então, disse aos irmãos: Devolveram o meu dinheiro; aqui está na boca do saco de cereal. Desfaleceu-lhes o coração, e, atemorizados, entreolhavam- se, dizendo: Que é isto que D’us nos fez?
29 E vieram para Jacó, seu pai, na terra de Canaã, e lhe contaram tudo o que lhes acontecera, dizendo:
30 O homem, o senhor da terra, falou conosco asperamente e nos tratou como espiões da terra.
31 Dissemos-lhe: Somos homens honestos; não somos espiões;
32 somos doze irmãos, filhos de um mesmo pai; um já não existe, e o mais novo está hoje com nosso pai na terra de Canaã.
33 Respondeu-nos o homem, o senhor da terra: Nisto conhecerei que sois homens honestos: deixai comigo um de vossos irmãos, tomai o cereal para remediar a fome de vossas casas e parti;
34 trazei-me vosso irmão mais novo; assim saberei que não sois espiões, mas homens honestos. Então, vos entregarei vosso irmão, e negociareis na terra.
35 Aconteceu que, despejando eles os sacos de cereal, eis cada um tinha a sua trouxinha de dinheiro no saco de cereal; e viram as trouxinhas com o dinheiro, eles e seu pai, e temeram.
36 Então, lhes disse Jacó, seu pai: Tendes-me privado de filhos: José já não existe, Simeão não está aqui, e ides levar a Benjamim! Todas estas coisas me sobrevêm.
37 Mas Rúben disse a seu pai: Mata os meus dois filhos, se tu não tornar a trazer; entrega-o, e eu te restituirei.
38 Ele, porém, disse: Meu filho não descerá convosco; seu irmão é morto, e ele ficou só; se lhe sucede algum desastre no caminho por onde fordes, fareis descer minhas cãs com tristeza à sepultura.

Gn 43
1 A fome persistia gravíssima na terra.
2 Tendo eles acabado de consumir o cereal que trouxeram do Egito, disse-lhes seu pai: Voltai, comprai-nos um pouco de mantimento.
3 Mas Judá lhe respondeu: Fortemente nos protestou o homem, dizendo: Não me vereis o rosto, se o vosso irmão não vier convosco.
4 Se resolveres enviar conosco o nosso irmão, desceremos e te compraremos mantimento;
5 se, porém, não o enviares, não desceremos; pois o homem nos disse: Não me vereis o rosto, se o vosso irmão não vier convosco.
6 Disse-lhes Israel: Por que me fizestes esse mal, dando a saber àquele homem que tínheis outro irmão?
7 Responderam eles: O homem nos perguntou particularmente por nós e pela nossa parentela, dizendo: Vive ainda vosso pai? Tendes outro irmão? Respondemos- lhe segundo as suas palavras. Acaso, poderíamos adivinhar que haveria de dizer: Trazei vosso irmão?
8 Com isto disse Judá a Israel, seu pai: Envia o jovem comigo, e nos levantaremos e iremos; para que vivamos e não morramos, nem nós, nem tu, nem os nossos filhinhos.
9 Eu serei responsável por ele, da minha mão o requererás; se eu to não trouxer e não to puser à presença, serei culpado para contigo para sempre.
10 Se não nos tivéssemos demorado já estaríamos, com certeza, de volta segunda vez.
11 Respondeu-lhes Israel, seu pai: Se é tal, fazei, pois, isto: tomai do mais precioso desta terra nos sacos para o mantimento e levai de presente a esse homem: um pouco de bálsamo e um pouco de mel, arômatas e mirra, nozes de pistácia e amêndoas;
12 levai também dinheiro em dobro; e o dinheiro restituído na boca dos sacos de cereal, tornai a levá-lo convosco; pode bem ser que fosse engano.
13 Levai também vosso irmão, levantai-vos e voltai àquele homem.
14 D’us Todo-Poderoso vos dê misericórdia perante o homem, para que vos restitua o vosso outro irmão e deixe vir Benjamim. Quanto a mim, se eu perder os filhos, sem filhos ficarei.
15 Tomaram, pois, os homens os presentes, o dinheiro em dobro e a Benjamim; levantaram-se, desceram ao Egito e se apresentaram perante José.
16 Vendo José a Benjamim com eles, disse ao despenseiro de sua casa: Leva estes homens para casa, mata reses e prepara tudo; pois estes homens comerão comigo ao meio-dia.
17 Fez ele como José lhe ordenara e levou os homens para a casa de José.
18 Os homens tiveram medo, porque foram levados à casa de José; e diziam: É por causa do dinheiro que da outra vez voltou nos sacos de cereal, para nos acusar e arremeter contra nós, escravizar-nos e tomar nossos jumentos.
19 E se chegaram ao mordomo da casa de José, e lhe falaram à porta,
20 e disseram: Ai! senhor meu, já uma vez descemos a comprar mantimento;
21 quando chegamos à estalagem, abrindo os sacos de cereal, eis que o dinheiro de cada um estava na boca do saco de cereal, nosso dinheiro intacto; tornamos a trazê-lo conosco.
22 Trouxemos também outro dinheiro conosco, para comprar mantimento; não sabemos quem tenha posto o nosso dinheiro nos sacos de cereal.
23 Ele disse: Paz seja convosco, não temais; o vosso D’us, e o D’us de vosso pai, vos deu tesouro nos sacos de cereal; o vosso dinheiro me chegou a mim. E lhes trouxe fora a Simeão.
24 Depois, levou o mordomo aqueles homens à casa de José e lhes deu água, e eles lavaram os pés; também deu ração aos seus jumentos.
25 Então, prepararam o presente, para quando José viesse ao meio-dia; pois ouviram que ali haviam de comer.
26 Chegando José a casa, trouxeram-lhe para dentro o presente que tinham em mãos; e prostraram-se perante ele até a terra.
27 Ele lhes perguntou pelo seu bem-estar e disse: Vosso pai, o ancião de quem me falastes, vai bem? Ainda vive?
28 Responderam: Vai bem o teu servo, nosso pai vive ainda; e abaixaram a cabeça e prostraram-se.
29 Levantando José os olhos, viu a Benjamim, seu irmão, filho de sua mãe, e disse: É este o vosso irmão mais novo, de quem me falastes? E acrescentou: D’us te conceda graça, meu filho.
30 José se apressou e procurou onde chorar, porque se movera no seu íntimo, para com seu irmão; entrou na câmara e chorou ali.
31 Depois, lavou o rosto e saiu; conteve-se e disse: Servi a refeição.
32 Serviram-lhe a ele à parte, e a eles também à parte, e à parte aos egípcios que comiam com ele; porque aos egípcios não lhes era lícito comer pão com os hebreus, porquanto é isso abominação para os egípcios.
33 E assentaram-se diante dele, o primogênito segundo a sua primogenitura e o mais novo segundo a sua menoridade; disto os homens se maravilhavam entre si.
34 Então, lhes apresentou as porções que estavam diante dele; a porção de Benjamim era cinco vezes mais do que a de qualquer deles. E eles beberam e se regalaram com ele.

Gn 44
1 Deu José esta ordem ao mordomo de sua casa: Enche de mantimento os sacos que estes homens trouxeram, quanto puderem levar, e põe o dinheiro de cada um na boca do saco de mantimento.
2 O meu copo de prata pô-lo-ás na boca do saco de mantimento do mais novo, com o dinheiro do seu cereal. E assim se fez segundo José dissera.
3 De manhã, quando já claro, despediram-se estes homens, eles com os seus jumentos.
4 Tendo saído eles da cidade, não se havendo ainda distanciado, disse José ao mordomo de sua casa: Levanta-te e segue após esses homens; e, alcançando-os, lhes dirás: Por que pagastes mal por bem?
5 Não é este o copo em que bebe meu senhor? E por meio do qual faz as suas adivinhações? Procedestes mal no que fizestes.
6 E alcançou-os e lhes falou essas palavras.
7 Então, lhe responderam: Por que diz meu senhor tais palavras? Longe estejam teus servos de praticar semelhante coisa.
8 O dinheiro que achamos na boca dos sacos de mantimento, tornamos a trazer-te desde a terra de Canaã; como, pois, furtaríamos da casa do teu senhor prata ou ouro?
9 Aquele dos teus servos, com quem for achado, morra; e nós ainda seremos escravos do meu senhor.
10 Então, lhes respondeu: Seja conforme as vossas palavras; aquele com quem se achar será meu escravo, porém vós sereis inculpados.
11 E se apressaram, e, tendo cada um posto o saco de mantimento em terra, o abriu.
12 O mordomo os examinou, começando do mais velho e acabando no mais novo; e achou-se o copo no saco de mantimento de Benjamim.
13 Então, rasgaram as suas vestes e, carregados de novo os jumentos, tornaram à cidade.
14 E chegou Judá com seus irmãos à casa de José; este ainda estava ali; e prostraram-se em terra diante dele.
15 Disse-lhes José: Que é isso que fizestes? Não sabíeis vós que tal homem como eu é capaz de adivinhar?
16 Então, disse Judá: Que responderemos a meu senhor? Que falaremos? E como nos justificaremos? Achou D’us a iniqüidade de teus servos; eis que somos escravos de meu senhor, tanto nós como aquele em cuja mão se achou o copo.17 Mas ele disse: Longe de mim que eu tal faça; o homem em cuja mão foi achado


PARASHÁ MIKÊTS U w n

Nesta semana, em função do texto da parashá, temos que ter em mente o extraordinário poder do processo de TIKUN em nossas vidas. O Tikun é a força que nos permite ter o poder de restaurar a Luz nas sefirot de nossa Árvore da Vida e também na humanidade.

Nesta parashá vemos Yossef reunido com seus irmãos. Yossef demonstra atenção especial para seu irmão Biniamin Os antigos nos ensinam que o valor numérico de "Biniamin" (onipa) da palavra hebraica para "orifício" (nekev = 152) para os cabalistas, este orifício é a fenda por onde se conecta o mundo físico com o mundo espiritual. Considerando que os demais irmãos representam os vários aspectos das nossas midot (atributos) que estabelecemos por intermédio das mazalot (energias astrológicas) que influenciam os nossos sentidos comuns, Yossef representa a consciência espiritual, e Biniamin a conexão que se pode estabelecer entre a consciência infinita e as forças que se encontram presentes no mundo finito (físico).

“E a vosso irmão, o caçula, trazei-o a mim e serão acreditadas vossas palavras, e então não morrereis. E fizeram assim”. Gn: 42:20


Os Sábios de nossa tradição, nos ensinam também que por intermédio das palavras pronunciadas nas datas sagradas e nas "fendas" do tempo que nos conectam ao Mundo Infinito, podemos construir escadas que nos conduzem à "adesão" (DEVEKUT) e à "imortalidade" (OLAM HABÁ).

Outro indício de que Biniamin representa este elo entre o mundo físico e o mundo espiritual é justamente pelo fato do Templo ter sido construído no território destinado a Biniamin, e nossos Sábios sabem que o Templo era uma ponte direta com o extra físico. Sendo assim, os 12 filhos de Yaacov representam a retificação de nosso acesso a Shechiná no mundo. Assim como nesta parashá o processo de tikun (correção de erros passados) entre os irmãos se estabelece, temos a grande oportunidade de também restaurar os níveis reais de consciência espiritual encontrado no mundo físico. Para os cabalistas, ao longo do processo de nossas vidas e das "rodas" repetidas de nossos erros robóticos; criamos uma deficiência entre o nosso nível de consciência espiritual (Yossef) e o nosso nível de consciência física (os irmãos de Yossef). Este processo de consciência robótica é o que os cabalistas chamam de consciência linear.

Para que haja este processo de tikun é necessário que possamos romper com os aspectos limitados desta mente linear. A mente racional linear não é a mente verdadeira. Nada acontece no mundo físico sem que haja uma atividade prévia no plano metafísico. A percepção linear da realidade é a causa do mal, pois nos lança ao Olam Tohú (Consciência Caótica), mais pela perspectiva positiva e infinita da consciência espiritual, a linearidade do tempo e do espaço são ilusões. O grande paradoxo é que a linearidade, a ilusão negativa é o nosso único vínculo com a realidade positiva de Or Ein Soph (Luz do Mundo Infinito). As ilusões são impedimentos essenciais para a percepção. As palavras são ilusões, mais podem revelar a verdade. Os livros são ilusões – letras, orações, parágrafos –, são canais, mais possuem a capacidade de despertar nossa curiosidade, de afinar nosso intelecto, e o que é mais importante, de nos conduzir a um estado superior de consciência e a uma maior percepção de nós mesmo. A música é uma ilusão, mas as emoções que podem despertar são verdadeiras. Nossos corpos são ilusões, mais por intermédio das inteligências localizadas na néfesh do corpo podemos atingir a dimensão do Infinito. A totalidade deste mundo é uma ilusão mais possuem um aspecto oculto da realidade. A tarefa do cabalista é aspirar e em última instância conectar-se com a face Infinita que se encontra oculta no mundo físico.

Assim sendo o calendário do cabalistas e suas datas sagradas seriam como "defeitos", "brechas" e fendas para que venhamos a abrir caminhos que ligariam mais amplamente o mundo físico com o Mundo Infinito. Estas "fendas" seriam como uma linha de contração que perpassa todos os círculos (das sefirót). Só há uma forma de revelar o Fluxo contínuo da Luz do Mundo Infinito – através da restrição que se possa fazer nestas fendas. Por intermédio da resistência podemos atuar como um filamento, um receptor que contém e revela o Or Ein Soph que permanece naturalmente oculto. E ao fazermos isso podemos estender a Luz do Mundo Infinito sobre a humanidade e também sobre nossas vidas. A linearidade, então é a ruína da humanidade, mais é também a nossa única fonte de acesso ao mundo espiritual, pois somente por intermédio da resistência na linearidade é que podemos fazer surgir às ondas de tikun (correção) da Árvore da Vida.
O Criador está aqui, os tzadikim, os sábios. Os Mundos Superiores estão aqui assim como os mundos inferiores. O negativo se encontra entrelaçado com o positivo, o baixo com o elevado, o leve com o denso, o bom com o mal. A Luz está aqui em toda a sua Glória Infinita, mais deve permanecer oculta ao nosso aspecto finito, pois este foi um pré-requisito para a nossa existência. A Realidade (Olam Tikun) está aqui e agora, dentro e fora de nós, mais oculta pelo espaço e pelo tempo. Mas por que Yossef e seus irmãos precisam de tantos obstáculos até que a retificação entre eles seja efetuada?

Aprendemos que nenhuma energia positiva se revela neste mundo ilusório sem a força da restrição (resistência) , cuja energia-inteligência é "contração". Nenhuma luz, nenhum som, nenhum pensamento, nenhuma palavra, nenhuma ação – nada se revela neste mundo de ilusão sem que haja resistência. Não é possível revelar o positivo sem o negativo, a Luz necessita da obscuridade para se revelar. A Luz do Mundo Infinito está em toda parte, repartindo constantemente sua bênção Infinita. É unicamente da perspectiva finita que a Luz parece estar oculta. E assim como Yossef conscientemente impõe restrições aos seus irmãos, o cabalista sabe que devemos utilizar a resistência voluntária para retirar os véus da ilusão da consciência finita. E assim, descobrir que a obscuridade que se encontra no mundo físico é uma ilusão e toda perda é apenas passageira.

“E a fome era forte na terra”. Gn: 43:1

“Mas quando acabaram de comer o alimento que trouxeram de Mitzraim (limite), seu pai disse-lhes: Voltai e comprai um pouco de alimento para nós”. Gn: 43:2

Para nossos Sábios as "fendas" no tempo são meios pelos quais nos abastecemos de energia espiritual e eliminamos o caos (fome) em nossas vidas e também "sobre a terra". Para a Cabalá as conexões que estabelecemos (juntos com suas palavras) representam a fonte de toda e qualquer forma de milagre em nossa vida.

"Veio Rav Abá até ele, e lhe disse: Diga-me, quais são os teus atos, pois o Kadosh Baruch Hute fez milagres e não foi de graça." Zohar – Miketz

Chanuca Sameach!




PARASHÁ MIKÊTS U w n

Bereshit 41:1 - 44:17


Mikêts inicia-se com o famoso sonho do faraó sobre sete vacas esqueléticas devorando sete vacas gordas, seguido por sete magras espigas de cereal devorando sete espigas saudáveis.

Quando seus conselheiros e necromantes foram incapazes de resolver adequadamente a intrigante charada, o faraó chamou Yossef, que havia estado na prisão por um total de sete anos, para interpretar seus sonhos. Creditando seu poder de interpretação unicamente a D'us, Yossef diz ao faraó que, após viverem sete anos de extraordinária abundância nas colheitas, o Egito será assolado por sete anos de uma escassez devastadora.

Yossef aconselha o faraó a procurar um homem sábio para presidir a coleta e o armazenamento de grande quantidade de alimentos durante os anos de fartura. Impressionado pela brilhante interpretação, o faraó designa Yossef para ser o vice-rei do Egito, fazendo dele o segundo homem na hierarquia do país.

A mulher de Yossef, Asnat, dá luz a dois filhos, Menashê e Efraim, e os anos de fartura e escassez acontecem como Yossef havia predito. Com a fome abatendo também na terra de Canaan, os irmãos de Yossef vão ao Egito para comprar alimentos. Como não reconhecem seu renomado irmão, Yossef põe em ação um plano para determinar se eles se arrependeram totalmente pelo pecado de tê-lo vendido quase vinte anos atrás.

Yossef age com indiferença e os acusa de serem espiões, mantendo Shimeon como refém, enquanto o restante dos irmãos retorna com os alimentos para Canaan. Yossef, ainda não sendo reconhecido, conta-lhes que Shimeon será libertado apenas quando retornarem ao Egito com o irmão mais novo. Relutante a princípio, mas confrontado pela escassez crescente, Yaacov finalmente concorda em permitir aos filhos que levem Binyamin com eles. Ao chegarem ao Egito, Yossef testa ainda mais os irmãos, tratando bem a todos, mas mostrando um grande favoritismo por Binyamin.

Quando os irmãos finalmente voltam para casa com os baús repletos de cereais, Yossef esconde sua taça na sacola de Binyamin e este é acusado de ter roubado o precioso objeto. A porção termina com a ameaça pendente de que Binyamin será feito escravo do governante egípcio.

Mensagem da Parashá:

Ao descrever os talos saudáveis no "sonho do trigo" do faraó, diz a Torá: "E vejam, havia sete sadias e boas espigas de grão crescendo num único talo" Gn: 41:5.

É interessante notar que a respeito das magras espigas de grão, a Torá não menciona que cresciam num único talo. Não parece provável que esta diferença fosse inconsequente, pois sabemos que cada detalhe mencionado na Torá é importante e não deve ser deixado de lado. Assim, permanece a dúvida: por que a Torá descreve as boas espigas como crescendo em um só talo e omite este detalhe a respeito das espigas doentes?

O Otzar Chaim propõe uma solução engenhosa para esta discrepância. Explica que podemos, de fato, aprender uma importante lição desta diferença na descrição: que aquilo que é bom e significativo tende a se fundir e ficar junto. Entretanto, aquilo que é mau e sem propósito não pode tolerar a harmonia e a concordância. Por esta razão, as espigas boas e saudáveis cresciam em um único talo. Devido à boa e pura disposição das espigas, era natural que se unissem para crescer em um só talo. Por outro lado, as espigas mirradas e doentes, naturalmente mostrando desarmonia, "escolheram" crescer em talos diferentes, porque na verdade, qualquer união do mal é apenas para o avanço das necessidades e desejos individuais.

É interessante notar que, quando alguém pesquisa o passado dentro de alguns milhares de anos da história judaica, percebe que esta mensagem é especialmente verdadeira. O povo judeu jamais representou mais que uma ínfima fração da população mundial. Apesar disso, o povo judeu permaneceu, tem sobrevivido, e continua a ser ouvido neste mundo. Como isto é possível?

A lógica diria que o povo judeu, com todas as provações e sofrimentos destes anos, deveria ter desaparecido há muito. Mais especificamente, encontramos na história judaica casos de pequenos grupos de judeus enfrentando inimigos maiores e mais fortes. Mesmo assim, o povo sempre emerge vitorioso.

Poucos judeus derrotando um numeroso inimigo pode ser encontrado na história de Chanucá. Um pequeno número de soldados judeus levantou-se em rebelião contra o poderoso exército grego e conseguiu expulsá-los da Judéia. Este feito milagroso, provavelmente mais que qualquer outro evento, serve como um microcosmo da história judaica. Onde, então, está o segredo de nosso sucesso?

Poderia parecer que a resposta se encontra nos conceitos acima mencionados. Quando um número de indivíduos se reúne para fazer o bem, naturalmente formarão um grupo coeso. Na história de Chanucá, a missão de restaurar a ordem e a paz no Templo Sagrado e na terra da Judéia levou à formação de um grupo unido. E como diz um velho adágio, "cinco palitos unidos são mais fortes que dez palitos separados".

Os Macabeus, reunidos com o propósito do bem, puderam derrotar o exército grego que era composto simplesmente por indivíduos, cada um procurando realizar seus próprios desejos. Ocorre o mesmo com a nação judaica como um todo. Quando empreendemos uma missão sagrada, instintivamente formamos uma força invencível que nos possibilitam sobrepujar nossos adversários. Este é o segredo de nosso sucesso.

Não é minha intenção diminuir a natureza miraculosa da vitória dos Macabeus. Não há dúvida de que a derrota dos gregos não teria acontecido sem a intervenção Divina. Estou apenas propondo o meio através do qual ocorreu o milagre. Por isso, entre as outras lições de Chanucá, podemos também extrair este importante ensinamento da Festa das Luzes.

Ao acendermos a Menorá e avistarmos todas as velas acesas - e percebermos, que embora cada vela individual emite apenas um pequeno brilho, todas as velas juntas formam uma espetacular exibição de fogo e luz - podemos então lembrar a mensagem de Chanucá: a sobrevivência do povo judeu.

O Faraó tem sonhos estranhos:

Após Yossef ter permanecido na prisão por doze anos, D'us decidiu: "Vou pô-lo em liberdade agora." Por isso, D'us fez com que o Faraó tivesse pesadelos à noite.

Vocês sabem o que o Faraó sonhou?

Ele estava no rio Nilo. Sete vacas estavam saindo do rio. Eram gordas e bem alimentadas. Em seguida, saíram do rio mais sete vacas. Mas estas eram totalmente diferentes! Eram magras e esfomeadas.

O sonho continuou. As sete vacas magras e esfomeadas abriram suas bocas e engoliram as sete vacas gordas e sadias. Não sobrou nada delas; porém, as vacas magras não ficaram mais gordas depois de comerem as vacas sadias.

Na verdade, era um sonho estranho, mas o Faraó não teve tempo de pensar sobre ele quando acordou, pois adormeceu novamente e sonhou de novo.

Sete lindas e grandes espigas de trigo estavam saindo de uma haste. Cada caroço era grande e cheio.

De repente, o Faraó viu mais sete espigas brotando, mas eram diferentes: elas cresciam em sete hastes separadas ao invés de uma só. Além disso, cada espiga era tão fina e murcha que dava pena.

E as sete espigas de trigo, finas e murchas, abocanharam as sete espigas grandes e cheias.

Yossef é chamado.

Vocês podem imaginar o estado do Faraó quando ele acordou? O que poderiam significar estes sonhos tão estranhos?

O Faraó ordenou que todos os seus sábios e mágicos se reunissem no palácio.

"Expliquem-me os meus sonhos," ordenou.

Os mágicos tinham muitas idéias originais, cada um tinha uma explicação diferente para os sonhos do Faraó. Um deles disse:

"É muito claro, meu Faraó, que tenhas sonhado com sete vacas gordas e sadias, porque tua mulher dará à luz sete filhas. Em seguida, vistes as sete vacas sadias serem engolidas porque, ai de mim, todas tuas sete filhas morrerão."

Um outro continuou:

"E vistes sete lindas espigas de trigo porque vais conquistar sete países. Sete espigas magras engoliram as boas, significando que, mais tarde, perderás estes sete países."

Mas o Faraó não estava satisfeito. Seus mágicos sabiam como explicar o número "sete", mas por que tinha ele visto sete vacas saindo do rio e sete espigas de trigo ao invés de sete cães ou sete árvores, ou qualquer outro objeto? Seus mágicos não tinham respostas para suas perguntas.

"Não há ninguém aqui que possa explicar corretamente meu sonho?" - gritou o Faraó.

De repente, o adegueiro pensou num homem que sabia como explicar sonhos. Yossef! E exclamou:

"Eu conheço o homem certo! Uma vez, ele explicou dois sonhos e os dois se realizaram. Mas este homem está na prisão."

"Traga-o aqui imediatamente!" - ordenou o Faraó.

Um mensageiro correu rápido para a prisão. O cabelo de Yossef foi aparado e sua roupa trocada para que ficasse apresentável perante o Faraó. E ele foi levado para o palácio.

"Ouvi dizer que sabes como explicar sonhos," cumprimentou o Faraó a Yossef. Yossef respondeu:

"Nenhum homem pode saber o verdadeiro significado dos sonhos; somente D'us sabe. D'us pode revelar para mim a verdadeira explicação de seus sonhos."

Yossef não ficou orgulhoso quando o Faraó o chamou diante de si. Ele não tinha a pretensão de saber como explicar um sonho.

Uma história: Rabi Akiva e o pobre homem rico.

Certa vez, Rabi Akiva queria vender uma pérola. Procurou um comprador que lhe oferecesse um valor alto, porque a pérola era tão linda que era difícil encontrar outra igual. No mercado, todos souberam que Rabi Akiva tinha uma pérola rara e linda para vender.

Um dia, quando Rabi Akiva passou pela sinagoga, um homem com roupas esfarrapadas e rasgadas se ergueu do banco onde se sentavam os mendigos e disse para o Rabi:

"Soube de sua pérola e vou lhe pagar o preço que pede."

Rabi Akiva olhou espantado para o homem pobre. Como ele poderia ter dinheiro suficiente para comprar uma pérola tão cara? Seria um trapaceiro? Ou estaria apenas fazendo uma brincadeira?

Mas o homem pediu a Rabi Akiva que fosse a sua casa. Ele lhe pagaria lá. O homem conduziu Rabi Akiva até a casa. Não era uma choupana, mas uma linda mansão, onde apareceram criados bem vestidos que ofereceram uma refeição para Rabi Akiva e seus alunos.

O "pobre" homem trouxe ouro e pagou a Rabi Akiva o preço total. E ordenou a um criado que guardasse a pérola num lugar seguro onde ele guardava mais seis pérolas iguais.

"Se és tão rico," perguntou Rabi Akiva ao homem, "por que usas roupas de pobre? E por que sentas no banco dos mendigos da sinagoga?"

"Rabi," explicou o homem, "a vida de um homem não é curta? Em breve, estarei na sepultura. Para lembrar a mim mesmo que não vou ter minhas riquezas para sempre, sento-me com as pessoas pobres. Deste modo, não fico orgulhoso por causa da fortuna que D'us me deu. E também há outra vantagem em sentar entre os pobres. Se alguma vez perder minha fortuna, não ficarei aborrecido, porque sei que um mendigo e um homem rico são iguais, como se diz, 'Não fomos todos criados por um Pai e um D'us?' Eu sei que D'us odeia as pessoas orgulhosas. "

Quando Rabi Akiva ouviu isso, elogiou o homem.

"Eu gostaria que todas as pessoas ricas tirassem um exemplo de sua humildade!" - exclamou ele.

Yossef explica os sonhos:

Yossef escutou com atenção enquanto o Faraó relatava seus sonhos.

D'us deu para Yossef Ruach Hacôdesh (espírito da profecia) e ele compreendeu o verdadeiro significado dos sonhos. Yossef explicou para o Faraó:

"Os seus dois sonhos - aquele que se refere às vacas e o que se refere às espigas de trigo - predizem o mesmo acontecimento. Nos próximos sete anos, D'us dará ao Egito comida em abundância. Haverá mais produção nos sete anos de abundância do que o povo poderá comer. Estes sete anos bons são representados, nos seus sonhos, pelas sete vacas gordas e pelas espigas grandes de trigo."

"Depois destes sete anos de fartura, porém, virá uma terrível fome. Por isso, D'us lhe mostrou as sete vacas magras e esfomeadas e as sete espigas de trigo murchas. As vacas magras devoraram as gordas e as espigas murchas engoliram as cheias porque os anos de fome serão tão terríveis que as pessoas esquecerão os anos bons."

A explicação de Yossef fazia sentido para o Faraó. Um sonho em que o Nilo que regava a terra tinha a ver com comida. As vacas que pastavam nos campos também dependiam do Nilo e as espigas de trigo eram a comida. Na explicação de Yossef, tudo se encaixava.
O Midrash explica: A fome que foi diminuída

Na realidade, quantos anos de fome tinha D'us planejado trazer para o Egito? A resposta é: 42 anos.

Sabemos disto pelo fato de que a Torá repete os sonhos do Faraó seis vezes:

1. O Faraó sonhou que sete vacas magras emergiram do Nilo.

2. O Faraó sonhou que sete espigas de trigo murchas cresceram.

3. O Faraó disse para Yossef: "Vi sete vacas magras saindo do rio."

4. O Faraó disse para Yossef: "Vi sete espigas de trigo murchas."

5. Yossef explicou ao Faraó: "As sete vacas magras fazem alusão aos sete anos de fome."

6. Yossef explicou ao Faraó: "As sete espigas murchas de trigo fazem alusão à mesma coisa: sete anos de fome."

A Torá nos fala seis vezes sobre os sete anos de fome para insinuar que, na realidade, D'us planejou quarenta e dois anos de fome para o Egito. Mas Yossef rezou:

"Por favor, D'us, traga somente sete anos de fome!"

D'us aceitou a reza do Tsadic (justo) e reduziu a fome para sete anos.

Quando Yaacov foi para o Egito depois de dois anos de fome, ele abençoou o Faraó:

"Possa D'us cessar a fome."

D'us realizou a bênção de Yaacov e a fome terminou. Por causa dos dois Tsadikim (justos), a fome foi reduzida de quarenta e dois anos para dois.



Yossef se torna governante.

Yossef disse para o Faraó:

"Não tenhas medo da fome. Por que D'us te mostrou estes sonhos? Para preveni-lo de que deves se preparar com antecedência para os anos de fome. Então o país não passará fome. "Nomeia um homem sensato para reunir todo o alimento a mais nos anos de abundância. Ele irá armazená-lo e distribuí-lo nos anos de fome que virão. Deste modo, todos terão alimento."

O Faraó ficou muito satisfeito com o sábio conselho de Yossef e disse para seus ministros:

"Alguma vez, vocês viram um homem como Yossef, que tem o entendimento de D'us? Ele é o homem mais sábio do país, assim vou encarregá-lo de reunir e armazenar os alimentos nos anos de abundância."

O Faraó tirou seu anel e o colocou no dedo de Yossef:

"Com isto, eu te nomeio governante do Egito," disse. "Somente eu, o Faraó, estou acima de ti. A não ser eu, todos no país devem te obedecer."

O Faraó chamou Yossef por um novo nome, Tsofnat Paneach, que quer dizer, "O Revelador de Segredos," porque Yossef foi capaz de explicar os segredos dos sonhos do Faraó.

O Faraó ordenou a Yossef que se casasse. D'us fez com que Yossef encontrasse uma esposa vinda da família de Yaacov. Seu nome era Asnat.

Asnat deu-lhe dois filhos. Ao mais velho, deu o nome de Menashê e ao mais novo, Efrayim.

O que aconteceu nos anos de fome.

Os sonhos do Faraó aconteceram exatamente como Yossef havia previsto.

Durante os anos de produção farta, Yossef reuniu toneladas de alimentos, colocando-os em armazéns especiais.

Sete anos depois, começou a fome. Nenhuma espiga cresceu. Todos os alimentos que os egípcios puseram em armazéns particulares se estragaram, mas não aqueles armazenados por Yossef. Todos os egípcios foram forçados a comprar alimentos de Yossef.

Yaacov manda dez filhos para o Egito.

Os países ao redor do Egito também sofreram com a fome. Na casa de Yaacov, na Terra de Canaã, não havia sobrado muita comida.

Yaacov disse a seus filhos:

"Ouvi, de pessoas que voltam do Egito que naquele país há bastantes grãos para vender. Quero que vocês viajem para o Egito e comprem comida para nós. Binyamin, porém, não irá com vocês. Ele é o único filho que me resta da minha querida esposa Rachel e tenho medo que alguma desgraça possa acontecer a ele na viagem."

Yossef age como um estranho com seus irmãos.

Yossef sabia que, mais dia, menos dia, seus irmãos viriam ao Egito comprar comida. Emitiu uma ordem aos guardas de todos os portões da capital do Egito, "Anotem o nome de todos que entrarem na cidade e me mostrem a lista todas as noites."

Uma noite, Yossef encontrou na lista dos que chegaram ao Egito dez nomes familiares. Mas cada nome da lista era de um portão diferente:

Reuven, filho de Yaacov
Shimon, filho de Yaacov
Levi, filho de Yaacov
Yehudá, filho de Yaacov
Yissachar, filho de Yaacov
Zevulun, filho de Yaacov
Dan, filho de Yaacov
Naftali, filho de Yaacov
Gad, filho de Yaacov
Asher, filho de Yaacov

Finalmente seus irmãos chegaram! Mas onde estava Binyamin? 'Está faltando seu nome na lista,' pensou Yossef. Será que meus irmãos também o venderam? Será que eles também o odeiam como odiavam a mim?'

Yossef ordenou a seus criados:

"Tragam estes homens diante de mim."

Quando os irmãos apareceram, Yossef os reconheceu, mas eles não o reconheceram. Yossef pensou que se lhes dissesse: "Eu sou Yossef," eles ainda podiam odiá-lo e rejeitá-lo. Yossef decidiu. "Vou testá-los primeiro para ver se eles estão ou não arrependidos de terem me vendido."

Os irmãos se curvaram diante do governante egípcio e Yossef se lembrou de seus sonhos e pensou: "Sonhei que Binyamin também se curvaria perante mim e mais tarde meu pai também. Mas por que Binyamin não está aqui? Preciso descobrir."

Yossef se dirigiu a seus irmãos com severidade:

"Soube que todos vocês entraram na cidade por portões diferentes," disse-lhes. "Somente espiões agem assim. Vocês vieram por caminhos diferentes para descobrir os segredos do Egito. Vocês são um grupo de espiões."

Os filhos de Yaacov protestaram.

"Não, somos todos irmãos! Nosso pai recomendou para entrar por portões diferentes ao invés de por um único. Ele tinha medo que as pessoas fossem ficar com inveja e desejar o mal se vissem dez irmãos juntos, belos e fortes. Na verdade, somos doze irmãos, mas o mais novo ficou em casa e um outro está perdido no Egito. Estávamos procurando por ele na cidade, não somos espiões."


Yossef respondeu asperamente:

"Não acredito em vocês! Vocês são um grupo de espiões. Se querem provar que estão dizendo a verdade, mandem um de vocês para casa para trazer seu irmão mais novo. Enquanto isto, o resto ficará prisioneiro."

Para provar que falava a sério, Yossef colocou os dez irmãos na prisão por três dias. Quando os soltou, ordenou:

"Agora vão para casa e levem comida para suas famílias. Mas guardem minhas palavras, na próxima vez que vierem, tragam seu irmão mais novo e então acreditarei em suas desculpas. Caso contrário, mandarei matá-los como espiões".

Os irmãos ficaram assustadíssimos pela inesperada aspereza do governante egípcio. Disseram um ao outro em hebraico: "Por que D'us trouxe esta desgraça sobre nós? Certamente está nos castigando porque não tivemos piedade de Yossef quando nos implorou para não vendê-lo."

Reuven repreendeu os outros:

"Eu não disse que Yossef agia como criança? Ele não merecia ser vendido como escravo. Vocês deveriam ter sido mais brandos com ele."

Os irmãos pensavam que o governante egípcio não entendia hebraico. Toda vez que os irmão falavam com ele, Yossef pedia que suas palavras fossem traduzidas para o egípcio, pois não queria que os irmãos soubessem que ele entendia hebraico.

Mas, naturalmente, Yossef entendia tudo o que eles diziam. Ele se virou e começou a chorar pois estava com pena de seu sofrimento. Mas decidiu que ainda não era hora de dizer-lhes que era Yossef. Disse aos irmãos:

"Vou reter um de vocês, Shimon, aqui na prisão, até ver vocês de volta com seu irmão mais novo."

Os irmãos pedem para Yaacov deixar Binyamin viajar com eles

Antes dos irmãos saírem, Yossef ordenou a seu filho Menashê:

"Quando você encher os sacos destes homens com grãos, ponha de volta o dinheiro que trouxeram para pagar a comida."

Mais tarde, os irmãos descobriram que o dinheiro foi devolvido a seus sacos. Eles tremeram. Por que o governante teria feito isto? Eles disseram a seu pai Yaacov:

"O governante egípcio foi muito severo. Acusou-nos: 'Vocês são espiões!” Nós negamos, mas ele disse: “Só vou acreditar se trouxerem seu irmão mais novo.”

"O que vocês me fizeram?" - gritou Yaacov. "Primeiro Yossef desapareceu. Depois, Shimon está preso no Egito. E agora vocês querem levar Binyamin também. Não permitirei."

Os irmãos ficaram sem resposta. Mas quando sua reserva de comida estava quase no fim, Yehudá mostrou a Yaacov:

"Pai, você quer deixar todos nós morrermos de fome? Não temos escolha, temos de voltar ao Egito para comprar comida. Fico responsável por Binyamin. Garanto trazê-lo de volta."

Com um peso no coração, Yaacov disse a seus filhos:

"Uma vez que não há outra saída, levem Binyamin com vocês. Devolvam para o egípcio o dinheiro que vocês acharam nos sacos e levem-lhe um presente."

Os irmãos são convidados ao palácio de Yossef.

Quando os irmãos voltaram para a capital do Egito e foram ao palácio do governante com Binyamin, eles o viram e se curvaram perante ele. O primeiro sonho de Yossef se concretizou: todos seus irmãos se curvaram diante dele. Ele disse aos servos para dizer-lhes que Tsofnat Paneach (como Yossef era chamado) estava convidando a todos para uma refeição. Isto assustou os irmãos. Será que o egípcio acharia uma nova desculpa para castigá-los?

Quando os irmãos foram mandados entrar na sala de jantar, Yossef disse-lhes palavras amigáveis, especialmente para Binyamin, seu irmão mais novo. Antes de começarem a refeição, mostrou-lhes seu copo:

"Posso fazer truques com este copo. Com a ajuda dele posso sentar vocês à mesa na ordem certa."

Yossef deu um tapinha em seu copo e exclamou:

"Reuven, Shimon, Levi, Yehudá, Yissachar e Zevulun - todos são filhos de uma mesma mãe, sentem-se juntos. Dan e Naftali sentem-se juntos por terem a mesma mãe. Gad e Asher, fiquem juntos. A mãe de Binyamin não vive mais e nem a minha, então ele sentará comigo."

Os irmãos ficaram assombrados com a "mágica" do Tsofnat Paneach. Isto era exatamente o que Yossef queria. Não queria que eles suspeitassem de sua identidade e agiu como um mágico egípcio.

O copo de Yossef é achado na sacola de Binyamin.

Antes dos irmãos saírem, Yossef ordenou a seu filho Menashê:

"Encha seus sacos com comida." E acrescentou, quando ninguém mais ouviu: "Também esconda meu copo no saco de Binyamin."

Pouco depois, Yossef ordenou a seu filho Menashê:

"Corra atrás dos irmãos! Acuse-os de terem roubado meu copo."

Menashê cavalgou atrás dos irmãos e os alcançou. Ele os acusou:

"Demos por falta do copo mágico do governante. Um de vocês o roubou."

Os irmãos responderam:

"Nós não o roubamos! Você não sabe que até devolvemos o dinheiro que encontramos em nossas sacolas quando voltamos para casa da primeira vez?"

Menashê respondeu:

"Contudo, tenho ordens de procurar em todos os seus pertences."

Os irmãos descarregaram todas as sacolas e as abriram. Menashê procurou e o que ele tirou da sacola de Binyamin? O copo mágico de Yossef.

Os irmãos ficaram chocados! Como o copo do governante fora parar na sacola de Binyamin? Este lhes assegurou:

"Eu não peguei o copo. Esta é mais uma conspiração mesquinha do egípcio para nos castigar."

Menashê disse aos irmãos que deveriam voltar com ele para o palácio para serem julgados pelo governante pelo seu crime. Os irmãos não tiveram outra escolha senão obedecer e voltaram ao Egito com Menashê.

Quando estavam novamente diante de Yossef, este os censurou.

"O que vocês fizeram? Vou ficar com o ladrão como meu escravo. Vocês todos podem ir para casa."

Por que Yossef fez esta encenação com os irmãos?
Yossef queria fazer um teste com eles: Será que eles concordariam em deixar Binyamin para trás como escravo sem o ajudar, tal e qual fizeram com Yossef? Ou eles se levantariam para defender Binyamin? Então ele saberia que eles tinham caráter e não eram maus. E ele se revelaria para eles como Yossef

TEHILIM 40

Ao mestre do canto, um salmo de David. No Eterno depositei minha esperança e Ele para mim Se inclinou, e minha prece ouviu. Salvou-me do abismo e do lamaçal; sobre uma rocha me postou e orientou meus passos. Em minha boca pôs uma nova canção, um cântico de louvor a meu D’us; possam muitos compreender o que aconteceu e adquirirão confiança e temor no Eterno. Bem-aventurado é aquele que no Eterno deposita a sua confiança, e que não se volta para os soberbos nem para os que propagam mentiras. Ó Eterno, quanto fizeste! Desígnios e atos plenos de maravilhas, a nós dedicastes que, de tal forma, ninguém a Ti se pode comparar. Eu os relataria por toda parte, não fossem eles tão numerosos! Fizeste-me compreender que nem oferendas e nem sacrifícios desejaste; não requereste de mim sacrifícios para remir meus pecados. Proclamei então: “Vê, trarei um pergaminho, narrando o que me aconteceu.” Sempre almejei cumprir Tua vontade, e Tua Torá está no íntimo de meu ser. Às multidões anunciei Teus atos de justiça, pois não se puderam conter meus lábios, como Tu sabes, ó Eterno. Não guardei só em meu coração o louvor de Tua justiça; Tua salvação e fidelidade proclamei; da multidão não escondi Tua benevolência e Tua verdade. Sei que não me negarás Tua misericórdia; Tua proteção dedicada guardar-me-á continuamente. Porque infindáveis males me acometem, alcançaram-me minhas iniqüidades e me tolheram a visão; são mais numerosas que os cabelos da minha cabeça e fizeram desfalecer meu coração. Não tardes em salvar-me, ó Eterno; apressa-Te em meu socorro, ó Eterno. Que sejam humilhados e frustrados os que tentam destruir minha alma e recuem desonrados os que querem o meu mal. Recuem envergonhados e se sintam desolados os que zombam de mim. Regozijar-se-ão e se alegrarão, porém, aqueles que Te buscam, e Te exaltarão os que se comprazem com Tua redenção. Quanto a mim, sou desvalido e pobre. Ó Eterno, não desvies de mim Teu pensamento, pois Tu és meu escudo e minha proteção; não tardes, ó Eterno, D’us meu